Quinta-feira, 6 de Dezembro de 2012

Luanda

Com o visto no passaporte entrou no avião. Sete horas bastavam para por o pé naquela terra vermelha de Luanda... de África. Uma semana em Luanda não deu para ver nada, só para aguçar ainda mais o apetite.

 

À saída do avião 29 graus de temperatura e um ar cheio de aromas distintos, únicos. Sempre aquela estranha sensação de que continuamos em casa. Sempre a ideia que as atitudes são semelhantes, a cultura é igual.

 

A ilha, a marginal, o Banco Nacional de Angola, lindos! Tudo arranjado, é lindo.

 

Amei lá estar. Podem dizer tudo, que está tudo estragado, eu sei lá... mas é fantástico. :)

 


publicado por BigJoao às 00:08
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Sábado, 16 de Abril de 2011

Um Viva às boas surpresas!

Ouvi hoje e adorei a voz, a sonoridade!

 

 

Percorri as memórias sem encontrar de onde me vem esta aderência às "coisas de África". Nem família, nem nada na infância. O meu pai fez a tropa no hospital militar, não é daí. Tive um tio na guerra de África mas, nunca falou muito no assunto, suponho que não havia muito que falar.

 

Porque se me aguçam os sentidos sempre que alguém fala nessas paragens? Talvez seja o apelo do mar, dos descobrimentos. Talvez exista um Bartolomeu Dias em cada um de nós...

Bebo as histórias vividas, contadas na 1ª pessoa. Imagino os sítios, as gentes, mas por mais que imagine, seguramente que a realidade ultrapassa tudo isso.

 

Lá irei... lá irei. E lá entenderei o chamamento.


publicado por BigJoao às 02:40
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Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

Caramba

Cá estou de volta ao país dos contrastes... já podem respirar fundo e conduzir à vontade em Portugal... o "argelino" já saiu. :)

 

Foi um dia exigente. Acordei às 5:30h, segui de taxi para o aeroporto sem a certeza de ter lugar no avião, já para não falar na incerteza de ter ou não bagagem à chegada. Apanhei o dito avião que partiu com 25 minutos de atraso, sabendo que tinha 40 disponíveis para mudar de terminal em Paris... estava praticamente condenado. :) Felizmente tudo se encaixou de uma forma delicada, com stress mas sem forçar nada.

 

De Paris para Alger segui em económica, que é algo que me faz muito bem. Serve sobretudo para me lembrar quem sou e de onde venho. A classe executiva é só uma circunstância, um estado tão volátil como o alcool, como ter, por exemplo unhas de gel... :) :) no fundo não são realmente vossas, meninas. Só as compraram, não nasceram com elas.

 

E chegamos ao motivo que me leva a escrever, em económica é como nos santos populares, vamos mais juntinhos, o que potencia o diálogo e por vezes impede o soninho retemperador.

A senhora de cerca de 50 anos que seguia ao meu lado, começou de repente uma conversa surpreendente. Argelina de gema, viajava para Oran sozinha. Apesar de ser casada e já ser avó, o marido, também argelino, ficara em França e não sabia o motivo da sua viagem.

Aparentemente estavam a construir uma casa e o marido ter-se-á demorado 2 meses na Argélia em vez dos 15 dias esperados. Ela achava que o marido tinha outra mulher.

O que me surpreendeu foi a forma de lidar com a situação. Aparentemente ela terá questionado o marido de forma indirecta e, sem resposta cabal, decidiu fazer a viagem (4000Km) para confrontar essa mulher com a sua suspeita! Ainda lhe perguntei porque não o confrontava a ele com a situação, uma vez que era com ele que tinha a relação, mas não era essa a sua forma de lidar com as coisas. O que acho é que é uma viagem absolutamente inútil, se a outra lhe disser que não tem nada com o marido dela, ela vem-se embora sem nada, se lhe disser que tem, vem-se embora sem nada... de qualquer forma, vem-se embora sem nada.

 

Expliquem lá esta situação aqui ao tonto sff meninas. É coisa de mulher, é coisa de mulher desvairada, é coisa de criança, é coisa de árabe maluca, é coisa de... ilógica??!?

 

Obrigadão :) :)

 

Alison Moyet - Chain of Fools (live)


publicado por BigJoao às 14:22
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Quinta-feira, 21 de Maio de 2009

O Deserto

Apanhei o avião para Ghardaïa no domingo. Um bi-motor a hélices com direito a hospedeira e lanchinho.
Lá em baixo a vegetação verde deu rapidamente lugar a uma paisagem árida pintada à base de amarelos e castanhos. Tudo se foi transformando ao longo dos 600Km.
À chegada esperava-me uma “estalada” de ar quente e seco, um hotel honesto e um jantar comum.

 

Ghardaïa fica na região M’Zab e é composta por 5 tribos berbéres, que correspondem a outras tantas aldeias em colinas. Existem minaretes Sunitas e os outros xiitas, que diferem na forma. As colinas têm uma espécie de kashbha, onde é obrigatório contratar um guia para a visita. A mais antiga das tribos data de 1017 e é proibidíssimo tirar fotografias. Este conjunto de aldeias cujo nome significa em kabilie (na história que achei mais interessante) “Paro aqui”, ou “Não vou mais longe”, situa-se num oásis cheio de palmeiras, em que inclusive no ano passado houve cheias, porque o rio (Oued), um espaço seco, onde nem uma gota de água se consegue imaginar, transbordou.

98% das mulheres usa véu a tapar a cabeça e existe mesmo uma maioria que usa um véu branco completo. Caso sejam casadas, usam este véu e deixam espaço para verem só com um olho. Foi-me dito que existem mais acidentes de viação com elas por causa disso, pois atravessam sem ver bem as estradas.

A cena do dia foi horripilante. Um tipo vinha de acelera sem capacete e ao tentar acender o cigarro em andamento, estoirou com a mota contra um poste, mesmo à minha frente. Um autêntico doido!! O problema foi ter feito uma fractura exposta da tíbia (ou perónio… sei lá. Estava de fora!). Nem um queixume, sentado no passeio, cigarro ainda na boca e isqueiro na mão com que mantinha o osso dentro da perna. Lá seguiu para o hospital, deixando finalmente o cigarro no chão.
Fiz os 200Km até Ouarglá, cidade próxima da extracção de gás e petróleo. Jantei numa tenda feita de mantas de pêlo de camelo, que são leves e impermeáveis. Comi um Chorba e um «depois-lembro-me-do-nome» muito bons. A sopa é muito rica e já não consegui comer o prato em condições, deixei quase metade.



Nunca tinha convivido tão de perto com este ar quente e seco. Com 40 graus à sombra, transpira-se dentro dos edifícios, sobretudo os que têm ar condicionado, mas mal se sai para a rua, a roupa seca, descola-se do corpo e torna-se mais suportável.
O que mais impressiona é o silêncio.


publicado por BigJoao às 02:16
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Quarta-feira, 25 de Março de 2009

Aventura argelina

Hoje fiquei no hotel de manhã, houve aqui um workshop e não tive que me deslocar.

Correu tudo dentro dos conformes ie, o habitual. Os argelinos continuam a atender chamadas no meio de reuniões ou seja onde for. É bom porque nos exige um desenvolvimento apressado da capacidade de concentração. Acho que esta atitude corresponde a um certo novo-riquismo relativamente aos telemóveis. Na realidade, não são muito os que podem pagar as contas de telemóvel, pelo que os exibem quando podem.
Havia almoço incluído e lá fomos. Deixei a pasta e um caderno numa mesa de apoio e lá me dirigi ao buffet. Comemos as entradas, falámos, enchi o copo de sumo, comi e terminei as entradas. Fui buscar o prato quente e......... eis senão quando, me apercebo que um indivíduo estava sentado no meu lugar, com o meu guardanapo no colo, o meu copo, com dois pratos à frente. O prato quente e a fruta. Disse-lhe que ele estava no meu lugar (no meu melhor francês :) ) e ele respondeu que não há problema e passou para o lugar ao lado, o do tipo com quem eu tinha estado a falar.  Fez uma troca rápida de guardanapos, depois de ter limpo a boca ao que acabou por me deixar!!!!! :)


Como se isto não fosse já suficiente, quando acabei de almoçar e fui buscar as minhas coisas, elas já lá não estavam. Perguntei ao empregado se as tinha levado e ele disse-me quem as tinha. Era o tipo da empresa que organizou o evento (50 pessoas), estava a almoçar com o meu caderno ao colo.... porquê!?!? Desconheço, mas foi um dia singular. :) :) :)


Acabei o dia a "discutir" no trabalho com uma senhora de véu na cabeça, que está arranjar problemas de toda a espécie. As mulheres aqui têm uma necessidade de afirmação muito grande, com enormes dificuldades em assumir uma atitude profissional. Não é raro começarem a chorar porque não se vai fazer aquilo que querem. :) :) :) :)


É um negócio em vias de extinção em Portugal, mas que floresce na Argélia. As máquinas de escrever são em árabe e eles fazem requerimentos, pedidos, etc. para quem não sabe escrever. Uma espécie de Outsourcing da escrita. :)


publicado por BigJoao às 00:20
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Segunda-feira, 16 de Março de 2009

A Comida

Espanta-me a relação das pessoas com a comida.
De onde vem a rejeição radical da comida em determinadas situações? Qual a origem da vontade descontrolada de comer nalgumas pessoas?

Usamos a refeição para momentos especiais, para reuniões de trabalho, para situações românticas, de família, etc... a partilha dessas ocasiões é sempre um momento de proximidade, maior ou menor. Expomo-nos sempre quando comemos, talvez por isso tenhamos essa necessidade de escolher com relativo cuidado as pessoas com que degustamos.

Como sempre, falo de uma situação concreta que me desperta a dúvida. Falo de um almoço em Birkhadem (Lê-se Bir RRRádem) com dois portugueses e 3 argelinos. Chegámos ao restaurante, que tem o ambiente de um "cacau da Ribeira" mas com uns 100 m quadrados, cadeiras de tasca, ou daquelas antigas que havia na escola e pedimos espetadas. Fiquei logo admirado quando o pedido foram 23 espetadas e duas meias doses de frango.
Atenção, o tipo que estava ao meu lado comeu cerca de 17 espetadas regadas com mostarda. Eu e o outro comemos 3+3!!!!!!!! O tipo tem um físico de 1,80m e não é gordo, é normal!!!!! O "bicho" despachou as primeiras 10 e eu perguntei-lhe se estava a fraquejar, ao que ele me respondeu que eram exactamente aquelas últimas 7 que lhe sabiam melhor!!!!!! Que "é preciso não ter medo da carne"!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Fabulosa esta frase! Vai ficar nos anais das minhas histórias argelinas.

O tipo é um verdadeiro cromo. Diz que fala muito alto porque os pais moravam numa casa ao lado da estrada nacional e quando passava um carro deixavam de se ouvir!!!! :)

No oposto estão aquelas pessoas que abdicam de comer. Cheguei a ver uma mãe insistir com uma criança de 7 anos para comer um prato de adulto, enquanto ela comia 2 batatas pequenas e metade de um lombo de peixe.


publicado por BigJoao às 01:49
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Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009

Le Chameau

Meus amigos... pelas centenas de cartas, postais e post'its que recebi, pareceu-me que já estranhavam a minha ausência! :)

Devo dizer-vos que tenho tido dos dias mais animados do último ano. :) Desde ocorrências com camelos, a cenas de "praticamente" pugilato, de tudo se tem visto, por esta terra em que Alá deposita tanta esperança. Vou contar algumas, mas em estilo telegráfico para não maçar. :)

Fim de tarde. Na viagem trabalho-hotel aproveito para dormir. O motorista (o porreiraço) acorda-me e diz-me que estão ali camelos e eu tinha-lhe dito que gostava de ver. Pergunto se não há problema e aí vamos os dois, comigo à frente a dizer mal da vida por logo nesse dia ter esquecido a máquina fotográfica. Os "chameau" ali e eu a ter de usar o telemóvel... começo a fotografar, já ia na terceira quando começo a ouvir uns gritos "sauve toi!!", oh diabo!!! O camelo corria na minha direcção e vinha ligeirinho!!!! A partir daqui as versões dividem-se... ele diz que eu tropecei e até andei de quatro patas :) :), eu não me lembro disso. Lembro sim, de ele ter caído uma primeira vez, e uma segunda quando o alcancei. Parei solidário e virei-me para enfrentar o animal!!! Felizmente o bicho já estava a parar, tenho a certeza que estava a rir-se!! :)

Viemos no carro a rir até chegar ao hotel, enquanto ele dizia "C'est pas possible!!! C'est un souvage ce chameau"!!! O que nós rimos, não tem explicação.


Aqui está o animal já em plena carga e eu feito parvo, sem me aperceber e a olhar para o telemóvel! Ah ah ah.

A cena de quase pugilato vai ter de ficar para outra altura. :)

PS: Boa notícia, finalmente consegui internet no trabalho. Não vou ter tempo para postar, mas... nunca se sabe quando é que apetece.


publicado por BigJoao às 03:14
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Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009

Que treta

Esta treta dos computadores dão-me cabo da cabeça!!!!

Ando às voltas com o meu desde que foi re-instalado. Não consigo fazer nada do que quero. Arre!!
Parece que já consigo vir aqui à net... haja tempo...

:) :)

Felizmente nem tudo corre mal... continuo por cá pelo burgo... :) porquê!? Parece que houve problemas com o visto e tal... :) não fui eu, heim!?!? Enfim... amanhã já sigo viagem, por isso, não me posso rir muito.

Tenho uma colega que foi para a Alemanha, a achar que ia para o primeiro mundo, etc, etc... tem sido tratada de uma maneira... que deixaria um argelino chocado! :) :) Um hotel no fim do mundo, sem restaurante, ninguém com quem falar, ninguém para a receber... enfim, rapariguinhas novas, com medo de falar com as pessoas, é no que dá. :) :) Se jogásse na equipa aqui do Big, perguntava logo onde é que havia uma tasquinha ali à volta, arranjava um entendimento com um taxista e ia conhecer aquilo... :) :) :)


publicado por BigJoao às 10:55
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Quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009

Mas que grandes tretas estes franciús...

Depois das Festas, cá estamos de volta a Argel.

Aproveito para desejar um Bom Ano de 2009 (e seguintes) a todos, quer estejam a ler isto quer não. :)

Ontem lá apanhei o avião para Paris, onde deveria apanhar outro para Argel 3 horas depois. Mas nada é o que parece, quando aterrámos estavam a cair uns flocozitos de neve, que se transformaram em nevão durante essas 3 horas, pelos vistos foi o suficiente para cancelar todos os voos dessa tarde/noite. Até aqui tudo bem, é da nossa segurança que falamos. Agora o caos que se instalou para devolverem a bagagem, deixarem as pessoas nos hotéis e traze-las de manhã, ultrapassou tudo.
Não é mau que os portugueses sejam exigentes com a imagem que transmitem do seu país, mas nunca pensem que os outros são melhores, só porque são maiores ou por outro motivo qualquer.
Estes "franciús" despejaram as malas dos 10 a 15 voos cancelados, sem qualquer critério, pelos 10 tapetes disponíveis. Isto quer dizer que as minhas malas podiam estar no tapete 1, no 7 e no 10. Falo só do meu terminal, já nem falo nos outros. Podiam ter cancelado os voos por fases, podiam ter colocado as malas de cada voo num tapete, podiam ter feito as coisas bem, mas não.
Depois seguiu-se a saga das camionetes/navettes para os hotéis, esperámos 2 horas cá fora expostos à neve, que houvesse espaço para seguirmos. As pessoas em desespero, cheias de frio, quase à pancada por um lugar para o hotel, uma senhora com um bebé ao colo não conseguia lugar porque ninguém a deixava passar. Uma tristeza.



Enfim, 28 horas depois de sair, eis-me em Argel. Se a TAP voasse para cá, eram 2 horas de voo (sem neve pelo meio).
Como dizia um português com quem falei lá, "Estes tipos têm a mania que são uns pavões, mas quando a coisa dá para o torto é como nos outros lados". :) :)
O que acho é que isto acontece várias vezes naquele aeroporto, os processos já deviam existir e estar testados.

PS: Apelo à paz na Faixa de Gaza. São vizinhos, entendam-se.


publicado por BigJoao às 00:41
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Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008

Momento crítico

Tenho andado a passar momentos críticos.

Deixei de fumar há 6 meses e tem-me andado a apetecer terrivelmente voltar a fumar um. Todos sabemos que depois desse vêm os outros.
As condições ambientais também ajudam. Tabaco a 1,20€ o maço, pode-se fumar em todo o lado, longe de todos os que me são queridos...

O que vale é que só o facto de ter escrito isto me alivia o impulso. :)

Que me desculpe quem esteve a ler... não havia nada de interessante aqui, foi só um post para mim próprio.

 

PS: Este não sou eu, eu sou muito mais bonito! :)


publicado por BigJoao às 18:40
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