Segunda-feira, 13 de Agosto de 2012

A mochila e o submarino

Pareço um autêntico tomate maduro. Dois dias de praia, um soninho retemperador e aqui estou eu. A brisa doi-me ao passar pela pele, as pernas em chaga, os olhos a arder. Estou tãooo sensível. :D

 

Enquanto tento recuperar o meu ar sóbrio o país procura os documentos dos submarinos. Lembro-me que na altura em que o Paulo Portas saiu do ministério da defesa os jornais comentaram o número impressionante de fotocópias que o seu gabinete contabilizou nos últimos dias de mandato. Será possível que se esteja à procura dos originais e afinal ele só deixou as cópias?

O actual ministro dos negócios estrangeiros deveria ser o principal interessado em que os documentos fossem encontrados, pois de outra forma ficarão sempre as suspeitas e as perguntas sobre os motivos pelos quais os documentos desapareceram e a quem interessa que continuem desaparecidos. Mas parece que o ministro não fica sequer incomodado com tal suspeita, enclausurou-se nos Açores onde se desligou do mundo.

Hoje fui ao supermercado com a minha mochila às costas, perguntei ao segurança se podia entrar e parece que sim, que podia. À saída a mochila fez apitar o detector de furtos e eu, sem ninguém me pedir, esvaziei a mochila pois a suspeita estava lançada e foi para mim inaceitável que a mera sugestão de acusação se mantivesse. Parece que a loja onde comprei a mochila devia ter tirado o alarme e não o fez.

Toda esta história para dizer que estranho a falta de reacção do ministro, para mim e para qualquer cidadão honesto, este tipo de situações têm de ser esclarecidas. Para um ministro envolvido directamente no processo, sabendo que o país da empresa que vendeu os submarinos já condenou a gestão por ter pago subornos, o assunto não lhe merece uma única palavra!?!?

 

Algo tem que estar muito errado... muito errado mesmo! Quando alguém não se dá ao respeito, não merece ser respeitado, muito menos uma pessoa que anda permanentemente a falar de moral e bons costumes e se assume defensor dessa moral.

 

 

 


publicado por BigJoao às 16:28
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Terça-feira, 17 de Janeiro de 2012

... aquilo tinha que acabar!

Há um mês que não os via, um mês que não falava com os filhos.

Ligava todos os dias como se fosse à missa, mas a mãe não passava as chamadas, tirava o telemóvel aos filhos e não os deixava falar.

 

 

 

 

Nesse dia tinha de os ver. Tinha que o fazer. Nada justifica um mês sem os ver, sem lhes falar.

Enviou um sms, avisou que ia sem admitir uma recusa. Atrasou-se... a fulana não se despachava, queria ver isto e aquilo... sonhava acordada sem rumo nem capacidade de decidir se comprava ou não. A angústia tomou conta dele, o volante parecia de espuma... se calhar estava a apertá-lo demais. Entardeceu na estrada. Sabia que não ia chegar a tempo mas havia a possibilidade de ... havia a possibilidade...

 

A rua vazia. Um único prédio novo numa rua... na promessa de uma rua. Qual a probabilidade de acertar no segundo exacto em que o portão da garagem se abria? A frente do carro na abertura da garagem, impedindo o fecho do portão. Incrédulo assistiu aos filhos a correr, a sair do carro e fugir em direcção ao elevador. A fugir de si, do pai.

A partir daí deixou de sentir. Dava passos mas não sentiu os pés no chão. Ignorou a mãe quando passou pelo carro. Deixou de ouvir com clareza. Talvez ela buzinásse. A porta do apartamento à sua frente. Tocou a campaínha com insistência, qual era a pergunta que queria? Qual era a resposta? O que justificava a fuga!?

A porta impassível, sisuda sem compaixão, sem pudor. Chamou, perguntou. A resposta esbarrava sempre na vontade da mãe. O que a mãe queria, o que não queria. Ele queria um beijo, um abraço dos filhos... só isso.

A porta fechada, imóvel, rígida. As mãos no interior sem coragem para a abrir. Sem força para desobedecer.

O alarme a tocar. A mãe lá fora, nem tentou subir. Falava ao telemóvel sem palavras, criando cenários improváveis. Bolsando mentiras. Vómitos de mentiras em GSM. Alta tecnologia a propagar cenários inventados, ao serviço da manipulação.

Finalmente as perguntas tiveram resposta. "Não queriam".

Duas palavras simples, daquelas que se dizem todos os dias. Seja ao Sr. Joaquim da mercearia, ou aos vendedores da Cais em cada sinal de trânsito.

Viu as palavras atravessarem a porta em câmara lenta, cravarem-se em si... no seu corpo. Uma e outra cravaram-se de cada lado da imagem de os ver a fugir de si. Não saiu sangue... nem uma gota. A dor, o absurdo de dor de duas palavras de todos os dias.

Virou costas e desceu... se não queriam era diferente. Completamente diferente.

Passou por alguém. Talvez lhe tenha dito alguma coisa, não ouviu a voz, ou talvez fosse outra pessoa.

Pegou em toda a dor e tentou arrumá-la no carro, mas era um caso perdido. Arrancou com cuidado. Deixou ali algo de si e seguiu.

 

Sem saber como viver, sem dar nome áquela dor, aguentou. O optimismo perdeu-se, a alegria ficou naquele patamar. Nada voltará a ser como dantes.


publicado por BigJoao às 01:27
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Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011

Os submarinos

Este meu país é fascinante!

 

Enquanto na Alemanha decorre o julgamento de quem nos vendeu os submarinos, em que se demonstra que existiu suborno na venda, por cá não há notícia dos subornados estarem a ser julgados... ou há!?

 

 

Já ouvi esta história antes, demonstra-se que houve suborno, mas não se descobre o subornado...


publicado por BigJoao às 22:53
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Terça-feira, 11 de Agosto de 2009

Digestões

Há digestões mais difíceis que outras, normalmente dependem do alimento ingerido e se estava muito ou pouco estragado.
Refiro-me à digestão de relações com um fim abrupto. :)

Ser rejeitado(a) não é fácil. Saber que alguém de quem gastamos ou gostámos, olha para nós e não sente a terra a tremer ( obrigado Hemingway :) ), não sente as ondas a rebentarem dentro de si, nem vê fogo de artifício……. é duro.
Começa então uma saga tipo senhor dos anéis. A ideia é sempre a mesma. Tentar diminuir a importância do outro dentro de nós. Normalmente recorre-se a uma pseudo-lógica, de todo impossível no fervilhar de emoções em que se vive. Tenta-se racionalizar ou, pelo contrário, deixamos-nos levar pelas emoções.
Tenho visto o recurso a todo o tipo de técnicas para ultrapassar relações terminadas, desde passarem a tratar os (as) “ex” pelo apelido, a recorrerem ao insulto em substituição do nome, até ao supremo castigo de não se voltar a envolver com ninguém, tudo é permitido. Tudo é legítimo para diminuir a imagem do outro e, quantas vezes para reduzir a dor dentro do próprio.



Qual é a minha técnica!? Observo à lupa comportamentos menos correctos, ou que possam roçar nem que seja levemente, a incorrecção e supervalorizo-os, hipervalorizo-os, modificando a pouco e pouco a imagem que tenho dela, a malvada que me ficou com o coração, usou e não devolveu em condições ser usado imediatamente. :) Não sou nenhum santo. Estas são estratégias de sobrevivência. Mas há pessoas que são o diabo para ultrapassar. Quando são correctas e de um comportamento impecável, de uma lisura no trato, inatacáveis… bolas… aí… só há uma solução; AENC, acrónimo para a expressão, aguenta e não chora. Não passa dum acrónimo, porque o choro está sempre cá, demasiadas vezes cá dentro. Não, não tem nada a ver com a máxima “um homem” não chora. Tem a ver com o facto de, nem sempre o choro conseguir resumir o que vai cá dentro, nem sempre o choro ser a melhor expressão para a tristeza que se instala. :)

Bem a propósito... para elas
The Bangles – Eternal Flames

 


Para eles...

 

Bruce Springsteen - Drive all night

 

 

Para quem ainda não conseguiu colar as peças toda

 

Tom Waits - Broken Bicycles


publicado por BigJoao às 00:48
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Segunda-feira, 27 de Outubro de 2008

Concha Buika - Culpa Mia

Mientras no haya sol
Que ilumine el cielo
Solo las estrellas
En el firmamento
Mientras sea de noche
Y no llegue el día
Nada que ilumine
Esta pena mía

Esta pena mía
Corazoncillo loco
Que mata mi alma
Tan poquito a poco
Y me quita el sueño
Nunca me ha dolido tanto
Este sufrimiento que me está matando

Como llovía
La tarde en que te fuiste
Todavía pensando en ti
Me pongo triste

Te fuiste para siempre
Y siempre al recordarte
Considero que fue todo culpa mía
Cuando tú hablabas
Yo sin contestarte
Casi todo aquel silencio culpa mía

Culpa mía las llamadas sin respuesta
Culpa mía nuestra puerta demasiado abierta
Yo te he entregado mi alma sin pensarlo
Culpa mía es el dolor que estoy pasando

Como llovía
La tarde en que te fuiste
Todavía pensando en ti
Me pongo triste

La primera luna
De la primera noche
Bailamos sin parar por culpa mía
Alguna sonrisa
Casi todas las canciones
Y la tarde junto al mar fue culpa mía

Culpa mía los recuerdos que nos quedan
Culpa mía cuando te espere despierta
Yo te he entregado mi alma sin pensarlo
Culpa mía es el dolor que estoy pasando

Culpa mía las llamadas sin respuesta
Culpa mía nuestra puerta demasiado abierta
Yo te he entregado mi alma sin pensarlo
Culpa mía es el dolor que estoy pasando

Como llovía
La tarde en la que te fuiste
Ay todavía pensando en ti
Me pongo triste.

 


publicado por BigJoao às 15:56
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Concha Buika

Desde que el agua es libre

Libre entre manantiales,

vive Jazmines han llorado

Yo no comprendo

Como en tus ojos niña

Solo hay desierto

 

Hermosa era la tarde

Cuando entre los olivos,

Nadie vio como yo a ti te quise

Como te quiero

Hoy los olivos duermen

Y yo no duermo

 

No habrá nadie en el mundo

Que cure la herida

Que dejó tu orgullo

 

Yo no comprendo

Que tú me lastimes con todo,

Con todo el amor

Que me diste

 

Pa´ cuando tú volvieras

Pensé cantarte coplas viejas

De esas que hablan de amores y de sufrimiento.

 

Cuando tú vuelvas niña

Te como a besos

 

Y volaremos alto

Dónde las nubes van despacio

Despacio va mi boca

Sobre tu cuerpo tan lento que seguro se para el tiempo.

 

No habrá nadie en el mundo

Que cure la herida

Que dejó tu orgullo

 


publicado por BigJoao às 13:42
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Sexta-feira, 6 de Junho de 2008

A morte

Quando o sofrimento é gratuito, a cura inalcansável, a dor imerecida; a coragem e a galhardia são absurdas, é preciso abrir a mão e deixar voar o espírito.
O fim pode ser um alívio.


publicado por BigJoao às 13:14
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Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

Keith Jarret

Quem é que ficou com o meu CD do Keith Jarret - The Köln Concert!?!?!?
Está-me a fazer uma destas faltas!!!!

 

 


publicado por BigJoao às 17:49
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Quarta-feira, 2 de Abril de 2008

A Paixão

Há dias em que morre um pouco de nós.
Qual é a lógica de ver arrancar pela raiz um rebento de uma rosa!? Será porque se adivinham os espinhos que devemos acabar com o que podia vir a ser uma bela flor!?
As coisas mais belas deviam poder ser vividas sem olhar ao que as rodeia. Independentemente do cenário. Mas uma rosa na Musgueira, não é igual à mesma flor no jardim botânico.

Poderemos chamar desencontro, às situações em que as circunstancias são completamente desfavoráveis?
Sinto que o nosso melhor não chega, é preciso uma conjugação astral, uma vontade divina, uma série de coincidências que nos ajudem a concretizar o que sabemos querer.

A vida é feita de escolhas, é mesmo uma sucessão delas. Somos hoje o resultado de todas as nossas escolhas e tenho a perfeita consciência de nem sempre ter feito as melhores.

Só ficou a tristeza, o desânimo, o desalento e, sobretudo, a sensação de injustiça.

 


publicado por BigJoao às 05:18
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