Terça-feira, 8 de Novembro de 2011

Indignidade

Ainda não faz um ano que andava por aí um fulano a interpretar o personagem de primeiro ministro. Ainda nem há um ano "estávamos todos bem", com o desemprego a aumentar, mas embuidos de um optimismo inspirado por esse ator. Afinal de contas, "não era possível que nos estivesse a enganar tão enormemente"!

Pois é, mas estava! Ia pedindo cada vez mais dinheiro emprestado para pagar as inúmeras obras que tinha de contratar aos "amigos". Até que mais ninguém lhe quis emprestar ao juro a que estava habituado... sem dinheiro, é mais difícil fazer política... decidiu ir estudar filosofia para a Sorbonne. Parece que à terceira conseguiu entrar no curso, recorrendo à influência (vulgo cunha) do embaixador...

 

Para trás deixa-nos a nós, portugueses de gema e seus conterrâneos, a braços com uma das piores e mais graves crises desde que há democracia em Portugal. A troco de um novo museu dos coches de proporções bíblicas, de uma barragem no Tua que irá produzir para uma população inexistente, de parcerias nos hospitais públicos, deixa-nos na maior miséria. Enquanto Vara e Coelho recebem cerca de 700.000€ por ano cada, os portugueses vêm-se a braços com níveis de desemprego record, com desigualdades sociais de que não tenho memória.

 

Quando li esta notícia no jornal fiquei chocado. “Preciso de pôr comida na mesa”. Quando o que está em questão é a fome, é a vida dos que nos são queridos, vale tudo. Mas até no desespero existe dignidade, o ladrão não fez mal à empregada, pediu-lhe o dinheiro e saiu.

 

A alienação da realidade, a mais absoluta inconsciência deste "senhor engenheiro", trouxe-nos a isto. A maior indignidade, o abuso de poder. Prenda-se o senhor engenheiro por malfeitorias à nossa pátria. Nacionalizem-se as suas contas na Suíça e moralizem-se os cargos de gestor das empresas públicas!

 

Se alguém me estiver a ouvir, esqueçam a ideia de reduzir o horário dos transportes, ok!!? Esqueçam!

 


publicado por BigJoao às 01:55
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Domingo, 4 de Outubro de 2009

Salão Automóvel de Alger

Hoje houve animação aqui para os lados do deserto. :)

Abriu o esperado salão automóvel de Alger. Como nunca acontece nada por estes lados, uma coisa assim gera logo um sururu.
O salão é ao lado do hotel, pelo que fui a pé (yupi!!! Finalmente consegui ir a pé a qualquer lado :) ).
Uma fila enorme para os bilhetes (0,30€), mas atenção! Uma fila argelina!! Quer dizer que não é bem uma fila, é mais um monte de gente lado a lado, a "encostar" o ombro para passar à frente.
Lá entrámos.

 

O pavilhão da VW, Skoda e Audi foi o mais arrojado. Foi quando entrei que percebi porque é que o hotel tinha sido invadido por um exército de modelos loiras a falarem uma língua incompreensível. Ali estavam elas! As malucas que ontem à noite foram tomar banho na piscina do hotel, como se estivesse calor!!! :)

Aqui fica uma foto. Esta rapariga ainda me deve estar a amaldiçoar!! Após ter-lhe pedido para tirar esta foto com ela, os argelinos perceberam que também podiam... quando olhei para trás, estava rodeada de rapazes a querem repetir o número. :) :)



A quantidade de marcas chinesas expostas é impressionante. Carros com aquele ar das coisas chinesas que só vão durar 3 meses... :) Aqui fica a foto de um desses carros. Uma "pileca" onde foi muito difícil entrar, com o preço de 6000€. Tive que fechar a porta com cuidado, com medo que se desconjuntasse.



De resto!? Marcas chinesas a imitar os Mercedes, marcas chinesas a imitar o Fiat Panda, marcas Iranianas a imitar os Peugeot. Uma riqueza e abundância de imitações. :)
Deviam ter banhos públicos nestas coisas... inclusive para os expositores... if you know what I mean...

Cá fora aproveitava-se para fazer negócio. Um lugar no parque do futuro Carrefour custava 1€ (um escândalo de ladroagem), um trânsito infernal e, claro, carros a passar e a estacionar por tudo quanto é sítio.

Bem hajam


publicado por BigJoao às 00:10
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Domingo, 16 de Março de 2008

Valores, ou talvez não

Vem este post a propósito dos tão badalados valores sociais.
A minha vontade de postar (desculpem-me o neologismo) surgiu por constatar que quando se fala em valores, uma (demasiado) grande parte das pessoas diz que sim com a cabeça, mas dá-me a impressão que a informação não é processada.
Não pretendo ensinar nada a ninguém, somente reflectir, e se no percurso alguém me quiser ajudar à reflexão, já não teremos perdido tudo os dois (não estou a contar que isto seja muito lido). :)

O que são e quais são os valores das pessoas, da sociedade como um todo!?

Supostamente é tudo aquilo que valorizamos acima de qualquer outra coisa. Tudo aquilo que não concebemos trocar, que não está à venda, não é transaccionável. Dito assim, parece e é curto. Os valores são mais estruturantes que isso, são a base a partir da qual construímos o nosso eu, como pessoas e como sociedade. Estão presentes em todas e cada uma das nossas decisões.
Até parece que estamos a falar da Constituição da República! E estamos, se quisermos comparar, os valores estão para nós como a Constituição está para as leis. Tudo em nós lhes está subordinado.

Vejamos o exemplo da igreja católica e dos seus dez mandamentos: Não matarás é com certeza um valor, inclusive social. Sempre que alguém não o respeita é motivo de censura social e até de privação de liberdade... na nossa sociedade. Países há, em que a censura vai tão longe, que o estado viola esse valor pagando da mesma moeda com a pena de morte.

A nossa dignidade como ser humano não deveria estar à venda e no entanto existe prostituição. Mas consta que mesmo as prostitutas não beijam na boca os clientes. Significa que encontraram uma forma de manter a sua dignidade mesmo vendendo o corpo.

Valorizamos a família? Cada vez há mais divórcios, pelo que parece que a procura da felicidade se tornou um valor com mais peso que o da família.

A coerência, será ela um valor? Acho que não. Ninguém insiste num erro só para se manter coerente com as suas posições no passado. Devemos ser coerentes mas não a qualquer preço.

Este parece-me um debate importante, pois quando a tão apregoada crise de valores está à porta não podemos fechar os olhos ao problema. Se queremos crescer como seres humanos e como sociedade, temos de tomar decisões sobre o que é que realmente valorizamos.
Os fundos comunitários foram em grande parte canalizados para ter e não para ser. Realmente TEMOS autoestradas, TEMOS automóveis, TEMOS estádios de futebol, TEMOS Via Verde, TEMOS canais de TV, mas também SOMOS um dos países comunitários com a maior taxa de abandono escolar precoce, SOMOS dos que têm menos licenciados, SOMOS globalmente maus a matemática, SOMOS dos que menos investem em Investigação científica, SOMOS dos povos que menos se interessa por eventos culturais.

Se achamos que vivemos numa sociedade oca, que temos muito mas somos muito pouco, devemos então questionar os nossos valores e começar a fomentar novos. Não para esta geração, que já não vai mudar, mas para as próximas. Ninguém hoje vai abdicar de ir de carro para o trabalho, optando pelos transportes públicos, para assinar uma temporada na Gulbenkian; nem ninguém vai abdicar da ida semanal ao estádio de futebol para ficar em casa com os filhos a conversar (sim, com a TV desligada).
Os jovens estão a ser educados para achar que só têm de provar o seu valor para os professores, quando saem das universidades estão à espera de obter um lugar de topo numa qualquer empresa. Não querem começar por baixo e aprender até demonstrarem alguma responsabilidade.

São os nossos valores como indivíduos, como sociedade que devem ser debatidos, desconstruídos e recuperados, para que um destes dias nos possamos orgulhar do país que Somos.


publicado por BigJoao às 02:07
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