Domingo, 16 de Março de 2008

Valores, ou talvez não

Vem este post a propósito dos tão badalados valores sociais.
A minha vontade de postar (desculpem-me o neologismo) surgiu por constatar que quando se fala em valores, uma (demasiado) grande parte das pessoas diz que sim com a cabeça, mas dá-me a impressão que a informação não é processada.
Não pretendo ensinar nada a ninguém, somente reflectir, e se no percurso alguém me quiser ajudar à reflexão, já não teremos perdido tudo os dois (não estou a contar que isto seja muito lido). :)

O que são e quais são os valores das pessoas, da sociedade como um todo!?

Supostamente é tudo aquilo que valorizamos acima de qualquer outra coisa. Tudo aquilo que não concebemos trocar, que não está à venda, não é transaccionável. Dito assim, parece e é curto. Os valores são mais estruturantes que isso, são a base a partir da qual construímos o nosso eu, como pessoas e como sociedade. Estão presentes em todas e cada uma das nossas decisões.
Até parece que estamos a falar da Constituição da República! E estamos, se quisermos comparar, os valores estão para nós como a Constituição está para as leis. Tudo em nós lhes está subordinado.

Vejamos o exemplo da igreja católica e dos seus dez mandamentos: Não matarás é com certeza um valor, inclusive social. Sempre que alguém não o respeita é motivo de censura social e até de privação de liberdade... na nossa sociedade. Países há, em que a censura vai tão longe, que o estado viola esse valor pagando da mesma moeda com a pena de morte.

A nossa dignidade como ser humano não deveria estar à venda e no entanto existe prostituição. Mas consta que mesmo as prostitutas não beijam na boca os clientes. Significa que encontraram uma forma de manter a sua dignidade mesmo vendendo o corpo.

Valorizamos a família? Cada vez há mais divórcios, pelo que parece que a procura da felicidade se tornou um valor com mais peso que o da família.

A coerência, será ela um valor? Acho que não. Ninguém insiste num erro só para se manter coerente com as suas posições no passado. Devemos ser coerentes mas não a qualquer preço.

Este parece-me um debate importante, pois quando a tão apregoada crise de valores está à porta não podemos fechar os olhos ao problema. Se queremos crescer como seres humanos e como sociedade, temos de tomar decisões sobre o que é que realmente valorizamos.
Os fundos comunitários foram em grande parte canalizados para ter e não para ser. Realmente TEMOS autoestradas, TEMOS automóveis, TEMOS estádios de futebol, TEMOS Via Verde, TEMOS canais de TV, mas também SOMOS um dos países comunitários com a maior taxa de abandono escolar precoce, SOMOS dos que têm menos licenciados, SOMOS globalmente maus a matemática, SOMOS dos que menos investem em Investigação científica, SOMOS dos povos que menos se interessa por eventos culturais.

Se achamos que vivemos numa sociedade oca, que temos muito mas somos muito pouco, devemos então questionar os nossos valores e começar a fomentar novos. Não para esta geração, que já não vai mudar, mas para as próximas. Ninguém hoje vai abdicar de ir de carro para o trabalho, optando pelos transportes públicos, para assinar uma temporada na Gulbenkian; nem ninguém vai abdicar da ida semanal ao estádio de futebol para ficar em casa com os filhos a conversar (sim, com a TV desligada).
Os jovens estão a ser educados para achar que só têm de provar o seu valor para os professores, quando saem das universidades estão à espera de obter um lugar de topo numa qualquer empresa. Não querem começar por baixo e aprender até demonstrarem alguma responsabilidade.

São os nossos valores como indivíduos, como sociedade que devem ser debatidos, desconstruídos e recuperados, para que um destes dias nos possamos orgulhar do país que Somos.


publicado por BigJoao às 02:07
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