Segunda-feira, 8 de Julho de 2013

Com os olhos a arder

Nas ruas os pássaros estão em silêncio, o calor é demasiado.

Os chopos algodoeiros libertam a sua semente sob a forma de pequenos flocos de algodão. Esvoaçam lentamente ao sabor da brisa, quando há brisa.

Custa respirar, o ar é quente e seco. A luz intensa do sol faz arder os olhos.

 

Sinto... olho... observo... concluo... resolvo... envolvo...

 

Já não consigo... um carro passa na rua. A cidade está viva, activa, inteira.

 

 

U2 - Bad


publicado por BigJoao às 02:18
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Sexta-feira, 2 de Novembro de 2012

O olhar

Estava uma manhã fria e húmida. O nevoeiro não deixava ver mais de 30 metros em redor.

 

Saiu da pastelaria aborrecida. O empregado nunca reparava nela, parecia que nunca a ouvia. Apesar dos seus pedidos repetidos por uma torrada e uma meia de leite, era surdo à sua voz. Perdia sempre imenso tempo na pastelaria, mas raramente perdia o autocarro das 8:10h.

 

 

Às 8:27h entrava no barco para o Terreiro do Paço, pouco antes das 9:00h estava a entrar na loja.

 

Sempre a mesma rotina, sempre a mesma vida. Poucas surpresas. A família esperava dela que casasse e tivesse filhos, mas nenhum rapaz parecia ser o tal. Nenhum príncipe encantado, só desilusões desdentadas e desbocadas.

Fora educada para se portar bem e por essa via chamar a atenção de um bom rapaz, como lhe dizia a mãe. As pessoas já não pareciam valorizar essa postura e ela esperava, esperava sempre... dos olhares cruzados à troca de palavras, destas à desilusão e até mágoa, nunca ia grande distância.

Ia continuar à espera, sempre à espera. Uma vida assim, deitada fora por convicções que nem sabia se eram realmente dela.

 

Crowded House - Don't Dream It's Over


publicado por BigJoao às 01:29
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Quinta-feira, 27 de Setembro de 2012

Manifestações

Manifestei-me? Claro que sim!! Não aceito políticas erráticas implementadas só "porque sim".

Vai surgir uma solução? Nem por isso. Acredito que vão surgir pequenas soluções, se houver tempo... se o sistema não tombar de podre.

Vamos viver num estado de direito? Não. Excepto se a justiça se levar a si própria a sério e começar a julgar com base no espírito  da lei.

 

 

É interessante espreitar o termo "Justiça" na enciclopédia. Dá-nos a real dimensão da distância que temos a percorrer. É quase assustador.

A equidade por exemplo (simbolizada pela balança), onde está a equidade!? A imparcialidade (simbolizada pelos olhos vendados) não passa de uma miragem. A coragem (simbolizada pela espada) não passa de uma anedota nos dias de hoje.

 

Não me refiro aos processos pequenos em que um sem abrigo rouba um polvo e um champô, porque nesses a coragem necessária não é superior à necessária para atravessar a rua, a imparcialidade até acredito que exista, já a equidade... enfim.

 

Ontem vi um casal de idosos, até com bom ar, furtar pão no supermercado! Pão!!!!!!!!

O que fazer? Claro que não os denunciei, pagar-lhes o pão só os iria envergonhar, pelo que sobrava deixar as coisas entregues ao destino.

 

Outro aspecto prende-se com alguns dogmas existentes no sistema de justiça. Por exemplo, os filhos devem ficar sempre a cargo da mãe. Como diria um qualquer jurista, "in dubio para a mãe".

 

Presuntos Implicados - Alma de Blues


publicado por BigJoao às 00:52
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Sábado, 25 de Agosto de 2012

A riqueza

Continuo a perguntar-me. É este o modelo de país em que queremos viver? Há algum político satisfeito com o estado a que trouxe país? Haverá algum ego inchado e orgulhoso com o nosso desenvolvimento?
RTP concessionada, TAP vendida com hub simbólico em Lisboa, EDP e REN chinesas,
Galp privada (e agora a ganhar dinheiro como nunca), 10 estádios novinhos, aeroporto abandonado em Beja, 15% de desemprego (oficial), interior sem ninguém, a horrorosa grande Lisboa, as lamentáveis Portimão e Praia da Rocha...

 


E sempre esta obcessão dos empresários com os despedimentos. As empresas são as pessoas que lá trabalham e as ideias que têm... o resto são instalações, prédios, armazéns, viaturas... nada valem, não geram riqueza. Por isso não entendo as racionalizações e reformas antecipadas obcessivas. Por isso detesto a frase repetida e quase metálica, "há mais alguma coisa em que possa ser útil?", por reflectir ignorância e insinceridade. Reflecte a simples obediência ao "road book" dos call centers, obediência cega em vez de uma vontade real em ajudar.

 

Em Portugal nunca se fazem avaliações, balanços efectivos. Nunca se tomam medidas em consonância com as conclusões a que se chega. O despudôr dos políticos é o reflexo do "deixa andar" popular e a justiça acaba por se travestir de anedota.

 

É melhor ir dormir, caso contrário amanhã faço uma revolução.

 

Xutos & Pontapés - Para sempre


publicado por BigJoao às 01:51
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Segunda-feira, 13 de Agosto de 2012

A mochila e o submarino

Pareço um autêntico tomate maduro. Dois dias de praia, um soninho retemperador e aqui estou eu. A brisa doi-me ao passar pela pele, as pernas em chaga, os olhos a arder. Estou tãooo sensível. :D

 

Enquanto tento recuperar o meu ar sóbrio o país procura os documentos dos submarinos. Lembro-me que na altura em que o Paulo Portas saiu do ministério da defesa os jornais comentaram o número impressionante de fotocópias que o seu gabinete contabilizou nos últimos dias de mandato. Será possível que se esteja à procura dos originais e afinal ele só deixou as cópias?

O actual ministro dos negócios estrangeiros deveria ser o principal interessado em que os documentos fossem encontrados, pois de outra forma ficarão sempre as suspeitas e as perguntas sobre os motivos pelos quais os documentos desapareceram e a quem interessa que continuem desaparecidos. Mas parece que o ministro não fica sequer incomodado com tal suspeita, enclausurou-se nos Açores onde se desligou do mundo.

Hoje fui ao supermercado com a minha mochila às costas, perguntei ao segurança se podia entrar e parece que sim, que podia. À saída a mochila fez apitar o detector de furtos e eu, sem ninguém me pedir, esvaziei a mochila pois a suspeita estava lançada e foi para mim inaceitável que a mera sugestão de acusação se mantivesse. Parece que a loja onde comprei a mochila devia ter tirado o alarme e não o fez.

Toda esta história para dizer que estranho a falta de reacção do ministro, para mim e para qualquer cidadão honesto, este tipo de situações têm de ser esclarecidas. Para um ministro envolvido directamente no processo, sabendo que o país da empresa que vendeu os submarinos já condenou a gestão por ter pago subornos, o assunto não lhe merece uma única palavra!?!?

 

Algo tem que estar muito errado... muito errado mesmo! Quando alguém não se dá ao respeito, não merece ser respeitado, muito menos uma pessoa que anda permanentemente a falar de moral e bons costumes e se assume defensor dessa moral.

 

 

 


publicado por BigJoao às 16:28
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Domingo, 15 de Julho de 2012

Cortar a Relva

Malditas formigas! Parece que nascem por todo o lado. Todos os dias limpo isto e no dia seguinte lá estão elas, parece que descobrem nutrientes onde os olhos mais treinados não veem mais que manchas.

 

 

 

Parece que não há limites para este ministro. Depois do caso do Público, agora o caso da licenciatura... será que não entende (e o Sócrates também não) que o cargo que ocupa lhe dá muito mais prestígio que a "licenciatura"? Pergunte aos inúmero licenciados a trabalhar em Call Centers qual o prestígio que sentem quando recebem o cheque de 500€ ao fim do mês. Sim porque não foi para adquirir técnicas nem competências que fez o esforço hercúleo para obter o canúdo!

 

A mais completa mediocridade chegou ao poder. Já começo a duvidar se o das finanças entenderá alguma coisa da respectiva pasta.

Todos temos o que merecemos e nós como povo não somos excepção. Quisemos pagar mal aos políticos? Enquanto os bons se afastaram para cargos mais interessantes, os menos bons encontravam esquemas de conseguir ganhar o mesmo ou mesmo mais. Quisemos cortar-lhes uma série de benefícios? Os que sobraram arranjaram formas de ganhar ainda mais. O problema é que os mediocres que sobram não têm pudor nem consciência ou vergonha, agarram-se ao poder com super-cola e só saem obrigados. Obrigados ou com as contas bancárias recheadas.

 

 

Uma marcha de mineiros é que nos fazia falta!

 

 

Jessie J - Domino


publicado por BigJoao às 18:38
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Sexta-feira, 8 de Junho de 2012

O risco

A democracia está em risco. A democracia está sempre em risco, é preciso, é importante lembrar e re-lembrar constantemente os princípios, os valores.

Quando surgiu a questão do ministro Relvas achei que "a coisa" não ia passar impune. Talvez pela atitude firme assumida pela direção do jornal, talvez porque a fragilidade de Relvas na questão das secretas era evidente... dias depois ocorre a reunião na ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social) e no dia 3 de Junho, a democracia foi mais uma vez violentada. Nem precisei de comprar ou ler o jornal! Pedro Passos Coelho aparecia na capa numa fotografia de corpo inteiro e todos devíamos conhecer melhor o senhor. Não podia haver maior exercício de "lambe-botismo" por parte do Público, nem poderia o jornal prestar pior serviço à democracia. Dias depois a jornalista demitiu-se, demonstrando que tem mais coluna vertebral que o jornal inteiro, Belmiro incluído. O gesto vai-lhe custar a casa, ou o carro, ou ambos... mas demonstrou que tem carácter.

 

Desconheço o que levou o jornal a fazer um recuo tão grande, mas naquele segundo foram comprados. Naquele segundo perderam a isenção e a sua função de jornalismo. Passaram a ser mais um pasquim onde se publica publicidade, como o jornal de ocasião. Quem der mais publica o que quiser, quem fizer maior pressão vence. Perderam a dignidade, porque a coragem já nem se lembram o que é. A liberdade de imprensa morreu para eles naquele mesmo segundo.

 

 

 

 

 

Vou deixar de comprar o Público assim como já tinha deixado de comprar o Expresso há uns anos. O meu gesto não vai ter impacto para nenhum, mas não podia continuar a comprar um jornal assim. Não me interessa ler propaganda encapotada e a subserviência enoja-me. Seja económica, seja de outro tipo. Vou tentar continuar a ler os artigos de opinião, mas para isso basta-me ler a contra-capa. Fico sempre com pena do que perco, mas também sinto que nunca perco grande coisa.

 

 

 

GNR - Asas


publicado por BigJoao às 23:44
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Sexta-feira, 11 de Maio de 2012

Somos nós

As mãos dormentes... o torpor do álcool. De repente os sons soam melhor, mais límpidos. Será possível que já bebi meia garrafa? Bom vinho este. Santa Marta de Penaguião é uma bonita zona, feita de anos de trabalho, anos de vidas vividas para cada socalco. A esperança a cada colheita, a esperança de colher as uvas de um futuro vinho memorável... daqueles que só vão ser bebidos daqui a 40... 50 anos!

 

Pedro Abrunhosa - Se eu fosse um dia o teu olhar

 

Ao fim do dia de vindima, a taberna. A conversa com os homens de mãos ásperas, calejadas da tesoura de apanhar as uvas e segurar em "Mines", ou em copos de tinto. A conversa sem nenhum rumo, fala-se das propriedades, da qualidade da uva, do tempo que fez este ano, do que tem o patrão A e o B... deita-se conversa fora. De manhã, a esperança que da vindima apareça um vinho extraordinário, a esperança de ter contribuído e participado nessa criação. A esperança que os "estrangeiros" premeiem aquele vinho, aquela criação...

Um dia a seguir ao outro. Uma tia que morre, um primo que sofre um acidente, uma festa das vindimas, um baptizado, um tio que volta de França, um primo que deixa os estudo e vai pastar ovelhas.

 

Portugal também é isto... não é só viver em Gondomar ou no Cacém... também é isto.


publicado por BigJoao às 00:39
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Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011

Os submarinos

Este meu país é fascinante!

 

Enquanto na Alemanha decorre o julgamento de quem nos vendeu os submarinos, em que se demonstra que existiu suborno na venda, por cá não há notícia dos subornados estarem a ser julgados... ou há!?

 

 

Já ouvi esta história antes, demonstra-se que houve suborno, mas não se descobre o subornado...


publicado por BigJoao às 22:53
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Terça-feira, 8 de Novembro de 2011

Indignidade

Ainda não faz um ano que andava por aí um fulano a interpretar o personagem de primeiro ministro. Ainda nem há um ano "estávamos todos bem", com o desemprego a aumentar, mas embuidos de um optimismo inspirado por esse ator. Afinal de contas, "não era possível que nos estivesse a enganar tão enormemente"!

Pois é, mas estava! Ia pedindo cada vez mais dinheiro emprestado para pagar as inúmeras obras que tinha de contratar aos "amigos". Até que mais ninguém lhe quis emprestar ao juro a que estava habituado... sem dinheiro, é mais difícil fazer política... decidiu ir estudar filosofia para a Sorbonne. Parece que à terceira conseguiu entrar no curso, recorrendo à influência (vulgo cunha) do embaixador...

 

Para trás deixa-nos a nós, portugueses de gema e seus conterrâneos, a braços com uma das piores e mais graves crises desde que há democracia em Portugal. A troco de um novo museu dos coches de proporções bíblicas, de uma barragem no Tua que irá produzir para uma população inexistente, de parcerias nos hospitais públicos, deixa-nos na maior miséria. Enquanto Vara e Coelho recebem cerca de 700.000€ por ano cada, os portugueses vêm-se a braços com níveis de desemprego record, com desigualdades sociais de que não tenho memória.

 

Quando li esta notícia no jornal fiquei chocado. “Preciso de pôr comida na mesa”. Quando o que está em questão é a fome, é a vida dos que nos são queridos, vale tudo. Mas até no desespero existe dignidade, o ladrão não fez mal à empregada, pediu-lhe o dinheiro e saiu.

 

A alienação da realidade, a mais absoluta inconsciência deste "senhor engenheiro", trouxe-nos a isto. A maior indignidade, o abuso de poder. Prenda-se o senhor engenheiro por malfeitorias à nossa pátria. Nacionalizem-se as suas contas na Suíça e moralizem-se os cargos de gestor das empresas públicas!

 

Se alguém me estiver a ouvir, esqueçam a ideia de reduzir o horário dos transportes, ok!!? Esqueçam!

 


publicado por BigJoao às 01:55
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