Terça-feira, 29 de Março de 2011

A fruta

Hoje cheguei ao trabalho e dei de caras com um furgão a anunciar fruta fresca. O conceito é basicamente a entrega de cestos de fruta a pedido, onde o cliente indica. Vem este post a propósito de que, a imaginação é fértil.

 

Este é um serviço que existia há uns 40/50 anos atrás, mal pago, sem nenhum prestígio associado, prestado sem qualquer preocupação de higiene ou embalagem e que se vê hoje re-inventado.

 

Fomos e somos um povo empreendedor, já passámos por crises no passado e seguramente não vai ser esta a deitar-nos abaixo. Re-inventemos pois as antigas profissões. Aproveitemos a floresta, o mar, o campo. Resineiros, pescadores, limpa chaminés, vendedores de castanha assada, pastores, moleiros. Nada nos impede de darmos uma nova roupagem a estes serviços, a estes produtos e reinventá-los. São pequenos negócios numa escala compatível com a bolsa das pessoas em "fundo de desemprego", que podem recuperá-las economicamente, psicologicamente até.

Floresta

 

 

A crise não é só dos políticos, a crise também é nossa.

 

sinto-me: bem

publicado por BigJoao às 15:36
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Quarta-feira, 23 de Março de 2011

Crescemos

Sentou-se no passeio. As pedras da calçada polidas do movimento semanal serviam perfeitamente para o que queria. Não se importou se sujava os calções ou se podia romper os ténis, nem o que pensariam os adultos que passavam por ele na rua.

Tirou do bolso os cromos e fez a contabilidade dos que tinha repetidos e dos que tinha trocado. Separou os "novos". Iam direitinhos para a caderneta quando chegasse a casa. Guardou-os assim separados em bolsos diferentes e levantou-se.

Correu até ao Nº 8 da mesma rua e tocou no 3º Esqº. O trinco da porta do prédio destrancou-se, subiu o 1º lanço até à abertura das escada e perguntou lá para cima.

- O Miguel está!?  A mãe do Miguel assomou ao patamar e respondeu.

- O Miguel está a estudar, quando acabar é que pode ir brincar.

- Está bem. Respondeu.

Correu rua abaixo até casa, entrou a correr e foi buscar a bola ao quarto. A mãe resmungou qualquer coisa sobre lanchar, só se conseguiu escapar com uma maça na mão. Correu para o pátio que sabia ter um muro contra o qual podia jogar. Imaginou a baliza e o guarda redes, fintou pelo menos 7 defesas imaginários antes de chutar ao muro e marcar um golo de antologia.

Entre dentadas na maçã e fintas passou-se 1/4 de hora. O Miguel apareceu todo limpinho e mostrou-lhe os cromos novos que tinha. Ele tinha conseguido o Diamantino do Benfica.

- Que sorte! E trocaste por quem?

- Pelo Bento.

- Xiii tenho 3 cromos do Bento, vê lá se me arranjas o Diamantino lá com os teus colegas.

Jogaram à bola e depois foram ver se o Zé já podia vir brincar. Treparam para um muro com quase 4 metros e foram até ao quintal do prédio do Zé por cima dos muros. Um gato fugiu assustado e o cão do pátio do Nº 6 ladrou que nem um doido. A Dona Esmeralda apareceu à janela a ralhar que iam cair dali e que ia fazer queixa. Apanharam umas nesperas pelo caminho e provaram, o Miguel deixou cair um pingo de sumo na camisola.

- A minha mãe diz que essas nódoas não saem. O Miguel encolheu os ombros e seguiram.

 

O Zé já podia vir brincar e os três partiram rua abaixo. O mundo estava ali para ser descoberto, havia sempre mais pátios, mais miúdos, mais cromos até ao pôr do sol.

 


publicado por BigJoao às 00:19
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