Sexta-feira, 20 de Setembro de 2013

A libertação

Talvez tenhamos que nos libertar dos bens materiais para atingirmos a felicidade. Nesse caso estou quase lá.

Talvez tenhamos que nos libertar de toda a zanga e simplesmente aceitar os factos da vida.

Talvez me converta ao budismo, ao islamismo, ao "abdicarismo", ao "desistismo", ao "abstinentismo" e a mais qualquer outro "ismo" de que me lembre.

 

Foto de sem abrigo (Reuters)

foto Reuters

 

E o que é a verdade!? Talvez um dia a verdade aconteça, talvez germine e cresça como um rebento de soja. Talvez a minha verdade esteja errada e tortuosa. Talvez se me libertar de ideias pré-concebidas que desconheço, ela se erga numa coluna de fumo e luz.

 

Olho para uma vida cheia de becos sem saída e apostas falhadas. Diz-se que "o que não nos mata torna-nos mais fortes", e se nos matar? Se nos formos tornando sombras de nós mesmos a pouco e pouco. Os dedos sem sentir a pouco e pouco. As pancadas já sem doer, a pouco e pouco. Sem capacidade de reacção. Um esgar no rosto sem sequer parecer um sorriso, uma careta.

As palavras foram lapidares, a conclusão foi tirada. As chaves do carro ficaram sobre a secretária vazia, a mochila no chão ao lado desta. Sem sentir a cadeira a arrastar, levantou-se e saiu indiferente aos protestos que as coisas não estavam terminadas. Precisava de ar.

Os olhos pequenos, já crescidos de olhar. Os ouvidos cheios de sons, uns bons outros maus. Uns breves outros longos e agudos como estiletes. A narrativa da mentira, a narrativa da boçalidade destrutiva como um buldozer. Cabeças de criança terraplanadas de ideias violentas, de destruição brutal.

 

Ninguém nos prepara para isto quando temos um filho. Ninguém nos prepara para isto quando temos dois. Ninguém.

Tornamo-nos sombras, espectros. Sem rumo, sem norte, sem conteúdo.

Seja feita a vossa vontade.

 

 

 

Tiago Bettencourt - O Jogo


publicado por BigJoao às 02:11
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Segunda-feira, 5 de Agosto de 2013

Citação e queda

Cito

 

A vida vai torta, Jamais se endireita, O azar persegue, Enconde-se à espreita

 

Sinto a luz nos olhos e desvio a cara. Tento ver através do reflexo da montra. A lista de empregos disponíveis parece uma coisa genérica, abrangente, metálica. Quase como se não tivessem pedido nenhum de nenhum empresário, mas se entrar algum, têm um dossier de respostas pronto a mostrar.

 

Nunca dei um passo, Que fosse o correcto, Eu nunca fiz nada, Que batesse certo

 

Meto a chave à porta, rodo-a e abro a porta. Está tudo igual, nos mesmos espaços, na mesma lentidão de gestos estáticos. Fecho a porta deixando os ruídos da rua mais distantes. Cada gesto produz os sons esperados, nenhuma surpresa.

 

Enquanto esperavas no fundo da rua, Pensava em ti e em que sorte era a tua, Quero-te tanto...(quero-te tanto), Quero-te tanto...(quero-te tanto)

 

Ligo o PC e tento lembrar-me da lista de tarefas que tinha feito mentalmente quando voltava para casa. Pego no envelope da conta da água e tento escrever os items da lista. A vida corre devagar.

 

De modo que a vida, É um circo de feras, E uns entre tantos, São as minhas feras

 

O estomago chama-me. Levanto-me do PC e vou até à cozinha. Abro o frigorífico e espreito para dentro... não me apetece nada. Vou até à despensa, acendo a luz, espreito e ... massa, arroz, salsichas, atum, bolachas... ora bolas, devia ter comprado fruta. Daqui a pouco já faço o jantar.

 

Ornatos Violeta - Devagar


publicado por BigJoao às 02:39
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