Quinta-feira, 23 de Agosto de 2012

Crescemos

Crescemos sempre, melhor ou pior vamos crescendo. Vamos apanhando pancada na vida, mas crescemos sempre.

Uns crescem mancos, outros corcundas, outros ainda cegos. Não me refiro a deficiências físicas, refiro-me a condicionamentos ou incapacidades que vamos adquirindo ao longo dos anos.

 

 

Se nos cortam a liberdade de expressão ou não nos respeitam as opiniões, com o tempo e a repetição destas situações, acabamos por nos convencermos que a nossa opinião não tem valor. Seremos incapacitados nesta área, analfabetos de opinião.

Se nos impedem de demonstrar emoções, acabamos por tapá-las dentro de nós. Faremos de tudo para nunca admitir que sentimos, pois os sentimentos podem ser perigosos se forem diabolizados desde cedo... pelo menos é assim que os vamos ver.

Se nos cortam a agressividade rente, seremos incapazes de nos defendermos perante um acto agressivo.

Se nos convencem que somos os melhores sprinters do mundo e acabamos por nunca ser ou sequer andar lá perto, então o mundo é que está mal, não será seguramente a mamã...

 

 

António Zambujo - Fortuna


publicado por BigJoao às 02:49
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Quinta-feira, 16 de Agosto de 2012

Tenham vergonha

Aqui fica um trabalho fabuloso e também o original.

 

O original:

 

 

O "Bandex" fez isto com este discurso. É fabuloso e criativo:


publicado por BigJoao às 21:20
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Segunda-feira, 13 de Agosto de 2012

A mochila e o submarino

Pareço um autêntico tomate maduro. Dois dias de praia, um soninho retemperador e aqui estou eu. A brisa doi-me ao passar pela pele, as pernas em chaga, os olhos a arder. Estou tãooo sensível. :D

 

Enquanto tento recuperar o meu ar sóbrio o país procura os documentos dos submarinos. Lembro-me que na altura em que o Paulo Portas saiu do ministério da defesa os jornais comentaram o número impressionante de fotocópias que o seu gabinete contabilizou nos últimos dias de mandato. Será possível que se esteja à procura dos originais e afinal ele só deixou as cópias?

O actual ministro dos negócios estrangeiros deveria ser o principal interessado em que os documentos fossem encontrados, pois de outra forma ficarão sempre as suspeitas e as perguntas sobre os motivos pelos quais os documentos desapareceram e a quem interessa que continuem desaparecidos. Mas parece que o ministro não fica sequer incomodado com tal suspeita, enclausurou-se nos Açores onde se desligou do mundo.

Hoje fui ao supermercado com a minha mochila às costas, perguntei ao segurança se podia entrar e parece que sim, que podia. À saída a mochila fez apitar o detector de furtos e eu, sem ninguém me pedir, esvaziei a mochila pois a suspeita estava lançada e foi para mim inaceitável que a mera sugestão de acusação se mantivesse. Parece que a loja onde comprei a mochila devia ter tirado o alarme e não o fez.

Toda esta história para dizer que estranho a falta de reacção do ministro, para mim e para qualquer cidadão honesto, este tipo de situações têm de ser esclarecidas. Para um ministro envolvido directamente no processo, sabendo que o país da empresa que vendeu os submarinos já condenou a gestão por ter pago subornos, o assunto não lhe merece uma única palavra!?!?

 

Algo tem que estar muito errado... muito errado mesmo! Quando alguém não se dá ao respeito, não merece ser respeitado, muito menos uma pessoa que anda permanentemente a falar de moral e bons costumes e se assume defensor dessa moral.

 

 

 


publicado por BigJoao às 16:28
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Domingo, 15 de Julho de 2012

Cortar a Relva

Malditas formigas! Parece que nascem por todo o lado. Todos os dias limpo isto e no dia seguinte lá estão elas, parece que descobrem nutrientes onde os olhos mais treinados não veem mais que manchas.

 

 

 

Parece que não há limites para este ministro. Depois do caso do Público, agora o caso da licenciatura... será que não entende (e o Sócrates também não) que o cargo que ocupa lhe dá muito mais prestígio que a "licenciatura"? Pergunte aos inúmero licenciados a trabalhar em Call Centers qual o prestígio que sentem quando recebem o cheque de 500€ ao fim do mês. Sim porque não foi para adquirir técnicas nem competências que fez o esforço hercúleo para obter o canúdo!

 

A mais completa mediocridade chegou ao poder. Já começo a duvidar se o das finanças entenderá alguma coisa da respectiva pasta.

Todos temos o que merecemos e nós como povo não somos excepção. Quisemos pagar mal aos políticos? Enquanto os bons se afastaram para cargos mais interessantes, os menos bons encontravam esquemas de conseguir ganhar o mesmo ou mesmo mais. Quisemos cortar-lhes uma série de benefícios? Os que sobraram arranjaram formas de ganhar ainda mais. O problema é que os mediocres que sobram não têm pudor nem consciência ou vergonha, agarram-se ao poder com super-cola e só saem obrigados. Obrigados ou com as contas bancárias recheadas.

 

 

Uma marcha de mineiros é que nos fazia falta!

 

 

Jessie J - Domino


publicado por BigJoao às 18:38
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Terça-feira, 17 de Janeiro de 2012

... aquilo tinha que acabar!

Há um mês que não os via, um mês que não falava com os filhos.

Ligava todos os dias como se fosse à missa, mas a mãe não passava as chamadas, tirava o telemóvel aos filhos e não os deixava falar.

 

 

 

 

Nesse dia tinha de os ver. Tinha que o fazer. Nada justifica um mês sem os ver, sem lhes falar.

Enviou um sms, avisou que ia sem admitir uma recusa. Atrasou-se... a fulana não se despachava, queria ver isto e aquilo... sonhava acordada sem rumo nem capacidade de decidir se comprava ou não. A angústia tomou conta dele, o volante parecia de espuma... se calhar estava a apertá-lo demais. Entardeceu na estrada. Sabia que não ia chegar a tempo mas havia a possibilidade de ... havia a possibilidade...

 

A rua vazia. Um único prédio novo numa rua... na promessa de uma rua. Qual a probabilidade de acertar no segundo exacto em que o portão da garagem se abria? A frente do carro na abertura da garagem, impedindo o fecho do portão. Incrédulo assistiu aos filhos a correr, a sair do carro e fugir em direcção ao elevador. A fugir de si, do pai.

A partir daí deixou de sentir. Dava passos mas não sentiu os pés no chão. Ignorou a mãe quando passou pelo carro. Deixou de ouvir com clareza. Talvez ela buzinásse. A porta do apartamento à sua frente. Tocou a campaínha com insistência, qual era a pergunta que queria? Qual era a resposta? O que justificava a fuga!?

A porta impassível, sisuda sem compaixão, sem pudor. Chamou, perguntou. A resposta esbarrava sempre na vontade da mãe. O que a mãe queria, o que não queria. Ele queria um beijo, um abraço dos filhos... só isso.

A porta fechada, imóvel, rígida. As mãos no interior sem coragem para a abrir. Sem força para desobedecer.

O alarme a tocar. A mãe lá fora, nem tentou subir. Falava ao telemóvel sem palavras, criando cenários improváveis. Bolsando mentiras. Vómitos de mentiras em GSM. Alta tecnologia a propagar cenários inventados, ao serviço da manipulação.

Finalmente as perguntas tiveram resposta. "Não queriam".

Duas palavras simples, daquelas que se dizem todos os dias. Seja ao Sr. Joaquim da mercearia, ou aos vendedores da Cais em cada sinal de trânsito.

Viu as palavras atravessarem a porta em câmara lenta, cravarem-se em si... no seu corpo. Uma e outra cravaram-se de cada lado da imagem de os ver a fugir de si. Não saiu sangue... nem uma gota. A dor, o absurdo de dor de duas palavras de todos os dias.

Virou costas e desceu... se não queriam era diferente. Completamente diferente.

Passou por alguém. Talvez lhe tenha dito alguma coisa, não ouviu a voz, ou talvez fosse outra pessoa.

Pegou em toda a dor e tentou arrumá-la no carro, mas era um caso perdido. Arrancou com cuidado. Deixou ali algo de si e seguiu.

 

Sem saber como viver, sem dar nome áquela dor, aguentou. O optimismo perdeu-se, a alegria ficou naquele patamar. Nada voltará a ser como dantes.


publicado por BigJoao às 01:27
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Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011

Os submarinos

Este meu país é fascinante!

 

Enquanto na Alemanha decorre o julgamento de quem nos vendeu os submarinos, em que se demonstra que existiu suborno na venda, por cá não há notícia dos subornados estarem a ser julgados... ou há!?

 

 

Já ouvi esta história antes, demonstra-se que houve suborno, mas não se descobre o subornado...


publicado por BigJoao às 22:53
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Terça-feira, 8 de Novembro de 2011

Indignidade

Ainda não faz um ano que andava por aí um fulano a interpretar o personagem de primeiro ministro. Ainda nem há um ano "estávamos todos bem", com o desemprego a aumentar, mas embuidos de um optimismo inspirado por esse ator. Afinal de contas, "não era possível que nos estivesse a enganar tão enormemente"!

Pois é, mas estava! Ia pedindo cada vez mais dinheiro emprestado para pagar as inúmeras obras que tinha de contratar aos "amigos". Até que mais ninguém lhe quis emprestar ao juro a que estava habituado... sem dinheiro, é mais difícil fazer política... decidiu ir estudar filosofia para a Sorbonne. Parece que à terceira conseguiu entrar no curso, recorrendo à influência (vulgo cunha) do embaixador...

 

Para trás deixa-nos a nós, portugueses de gema e seus conterrâneos, a braços com uma das piores e mais graves crises desde que há democracia em Portugal. A troco de um novo museu dos coches de proporções bíblicas, de uma barragem no Tua que irá produzir para uma população inexistente, de parcerias nos hospitais públicos, deixa-nos na maior miséria. Enquanto Vara e Coelho recebem cerca de 700.000€ por ano cada, os portugueses vêm-se a braços com níveis de desemprego record, com desigualdades sociais de que não tenho memória.

 

Quando li esta notícia no jornal fiquei chocado. “Preciso de pôr comida na mesa”. Quando o que está em questão é a fome, é a vida dos que nos são queridos, vale tudo. Mas até no desespero existe dignidade, o ladrão não fez mal à empregada, pediu-lhe o dinheiro e saiu.

 

A alienação da realidade, a mais absoluta inconsciência deste "senhor engenheiro", trouxe-nos a isto. A maior indignidade, o abuso de poder. Prenda-se o senhor engenheiro por malfeitorias à nossa pátria. Nacionalizem-se as suas contas na Suíça e moralizem-se os cargos de gestor das empresas públicas!

 

Se alguém me estiver a ouvir, esqueçam a ideia de reduzir o horário dos transportes, ok!!? Esqueçam!

 


publicado por BigJoao às 01:55
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Terça-feira, 20 de Setembro de 2011

O exemplo

Há cerca de meio ano comentei o caso do avô que matou o pai da sua neta, hoje comento a mensagem que a justiça envia à sociedade ao decidir que não há motivos para o manter preso preventivamente.

 

A notícia está aqui: http://www.jn.pt/PaginaInicial/Policia/Interior.aspx?content_id=2000299

 

Se as coisas não mudarem (e não vai ser a troika a mudá-las), o processo vai-se arrastar por 7 a 10 anos, com o homicida confesso em prisão domiciliária. Quando finalmente for condenado a uns 7 ou 8 anos de prisão, terá cerca de 75 anos. Terá convivido diariamente com a sua neta, terá exercido a sua influência e atribuido um ar de normalidade à sua lógica e forma de estar na vida.

 

O que me parece ser criminoso por parte da justiça não é deixar o senhor sair em prisão domiciliária, o que me parece perigoso, revoltante, demonstrador de enorme incompetência profissional e claro, criminoso, é a justiça não ser capaz de julgar e condenar um crime tão óbvio, tão evidente. São necessários mais de 6 meses para julgar este caso? Até filmes existem do crime. Ahhhh esquecia-me que os filmes não são aceites como prova em tribunal...

Os problemas que a lentidão da justiça gera, não são pequenos. Lembro que a namorada do falecido estava grávida e que esta criança foi privada de um pai. O criminoso convive com a sua meia irmã diariamente.

 

Que mensagem está a justiça então a passar à sociedade?

Que há pessoas privilegiadas, se se estiver bem relacionado.

Que por mais grave que seja o crime, a justiça nunca se faz de forma célere.

Que aquela é uma forma legítima de resolver o assunto. Discutível mas legítima.

 

 

Um país onde não há justiça, não é um país a sério.

 

Da Weasel - Casa


publicado por BigJoao às 02:29
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Segunda-feira, 6 de Junho de 2011

Participação do cidadão

Em Maio, esta professora brasileira interpelou deputados e a secretária de estado. Talvez fosse importante os deputados prestarem contas aos que os elegem, que mais não fosse para se manterem em contacto com a realidade.

Vale a pena ouvir.

 


publicado por BigJoao às 16:34
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Segunda-feira, 23 de Maio de 2011

...e voto em quem!?

Da esquerda para a direita, como na leitura ocidental? Ou da direita para a esquerda, como no mundo árabe?

 

Vou abordar o problema de forma cartesiana e no estilo engenheirite. Trata-se obviamente da minha opinião.

 

CDU:

(+)

- Preocupação com as desigualdades sociais.

- Faz a Festa do Avante todos os anos. :-)

(-)

- Não acredita verdadeiramente na democracia, nem tem propostas credíveis.

- Não negociou com o FMI, como se o dinheiro não fosse importante, que mais não fosse para pagar reformas e salários de Julho.

 

BE:

(+)

- Congrega pessoas que pensam diferente, nem sempre boas ideias, mas diferentes.

- Verdadeiras preocupações ambientais, sem querer impingir uma forma de estar na vida (como os Verdes).

(-)

- Não esteve com o FMI. Deixou passar a oportunidade de propôr outras medidas para ter acesso ao empréstimo a 5%, quando o mercado só emprestava a 9 e 10%

- Detestava ver um radical como o Francisco Louçã, um tipo que transpira rejeição pelo dinheiro, ter poder.

 

PS:

(+)

- Implementou o plano tecnológico e o Magalhães (embora não tenha ensinado os professores a aproveitar o equipamento).

- Tentou avaliar os professores.

(-)

- Deu cabo do país endividando-o acima do razoável e agora andamos a pedir emprestado para pagar juros de uma dívida que não pedimos.

- Não exerceu a sua função reguladora nem fiscalizadora (com a nobre e louvável exceção da ASAE).

- Desautorizou e manipulou o sistema de justiça. O procurador vai ter uma estátua... no mínimo.

- Tem como líder o maior autista político de que tenho memória. Vamos perder o estado social à conta dele.

 

PSD:

(+)

- Um líder que parece ser normal e honesto (porque é que isto me parece um defeito?).

- Pretende incentivar a economia incentivando as empresas (precisamos de premiar o mérito das empresas) e cortando gradualmente os benefícios (Sub desemprego e reformas). Quem não tem dinheiro não tem vícios.

(-)

- Aproxima o país de um capitalismo selvagem, deixando vigorar a lei do mais forte.

- Tem os interesseiros todos à espera da vitória para assaltarem a "coisa pública". Se não correrem com os que lá estão agora a ganhar, vai ser mau.

 

CDS/PP:

(+)

- Discurso responsável e de estado.

- Quer revitalizar a agricultura e as pescas!!!!!!!!!!!!! Eis um conceito que todos entendemos, trabalhando, ganhamos todos.

(-)

- Aumentar as pensões de reforma.

- Acredita na caridadezinha.

 

MRPP:

(+)

- Garcia Pereira.

(-)

- Se chega ao governo, é a desgraça. =)

 

Conclusão:

 

Se continuar a acreditar no sistema político e que a democracia vai funcionar, voto no PSD ou CDS. Porque vou acreditar que os líderes vão acabar com o desperdício e regular o funcionamento das empresas públicas e moralizar o estado.

 

Se quiser votar no protesto, voto BE ou MRPP. Porque vou querer ideias novas e soluções diferentes para um regime em crise. Ameaçar sair da moeda única pode ajudar os alemães e franceses a aceitarem pagar o dinheiro a 4% em vez dos 3%, impedindo-nos de pensar que se estão a aproveitar da nossa infelicidade.

 

Votar na CDU, no PS ou abster-me é a mesma coisa. Declarar a falência do país.

 

 

Tenho agora a campanha para decidir: P. Passos Coelho ou Francisco Louçã? Paulo Portas ou Garcia Pereira?

Fascina-me ter o Garcia Pereira no Parlamento!!!! =)


publicado por BigJoao às 11:07
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