Quinta-feira, 1 de Abril de 2010

Caiu

 

 

Caiu tudo num estrondo de mobília que se abate, num gemido de madeira que cede a um peso excessivo. Lascas de vários tamanhos e formas um pouco por todo o lado, e esta estranha poeira que ainda paira no ar, iluminada por um feixe de luz vindo da janela.

A ilusão da estante que um dia se sonhou escrivaninha, em que seria apoio à escrita das obras mais belas e não somente uma reserva, um arquivo de inspirações antigas.
A poeira mantém-se por muito tempo, suspensa por emoções que um dia se julgaram grandes, que sonharam o divino e afinal, baixaram os braços derrotadas, baixaram os ombros rasos de lágrimas, os olhos fracos sem olhar, os joelhos sem sentir.

Quem decidiu a forma? Em árvore sonhara com a paixão, a elegância das gavetas, o tampo exemplarmente liso, as pernas arredondadas com ranhuras verticais. A dor de ver peça após peça perder a forma, o espanto de não a reconhecer. Sentiu-se curto, sentiu-se pequeno, anão. O artesão não escolheu... fez e desfez sonhos, deixou cair formões, plainas e limas. Arrancou ilusões de serradura e partituras de lascas.
Nunca seria escrivaninha, não era a sua natureza.



"O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar."
Carlos Drummond de Andrade


publicado por BigJoao às 01:06
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Sábado, 20 de Março de 2010

O barómetro

Antes mesmo de articular qualquer palavra já os olhos o traíam. A visão dela, da sua energia, das suas formas, do seu sorriso contagiante deixou-o "desmontado". Quis agarrá-la, beijá-la, sentir os seus lábios tão "beijáveis" e ela deixou... deixou-se levar pela sensação fechando levemente as pálpebras, na festa dos sentidos.
Não só deixou como quis!

Se houvesse um barómetro para medir estados de alma, o seu estaria nos píncaros.

O problema nunca foi o que teve, mas sim o que não tem nem pode ter. A vida troca-nos as tintas.


publicado por BigJoao às 20:12
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Terça-feira, 2 de Março de 2010

O beijo

Não cheguei a sair daí.
É de noite,
estou naquele muro onde te tirei a fotografia,
enquanto falavas ao telefone com o teu vestidinho azul escuro .

Posso dar-te a mão,
cingir-te a cintura enquanto sinto o teu cheiro,
enquanto te toco o pescoço com os lábios,
enquanto falas ao telemóvel e admiras as tuas botas,
enquanto verificas novamente se a presilha das botas está no furo certo.
Admiras distraída a água do Douro a fluir,
a correr para a Foz,
num murmúrio de água que se amontoa enquanto roça a margem.
Um bater de asas nocturnas,
uma gaivota estremunhada.
Ao fundo as luzes da serra do pilar,
um ruído do vento a bater na roupa a secar,
um carro que passa na outra margem, no cais de gaia,
o som dos nossos passos
o teu toque
o teu olhar
a tua boca
os teus lábios entreabertos,
um beijo que se adivinha
o beijo inadiável
a urgência desse beijo
os corpos num desejo de fusão
o beijo já ansioso
.....
explode


Pedro Abrunhosa - Eu não sei quem te perdeu


publicado por BigJoao às 00:59
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Domingo, 8 de Novembro de 2009

Santo Ovídio

Os sons flutuaram estranhamente no ar, em volteios de cavaleiro ausente. Chove copiosamente e a visão reduz-se, compensada pelos aromas e sons mais distintos.

 

 

 

 

A distância reduziu-se a um milímetro mal medido e uniu almas num abraço sôfrego. O beijo confirma a expectativa mas não reduz a adrenalina nem a paixão. O Santo não tem memória de tal sintonia de harmonia electrizante. Nem a água que escorre cabelos abaixo, pele abaixo, que se sente entrar pelas golas em gotas grossas, esconder-se nas costas, se lembra de incomodar, se lembra de arrefecer os ânimos. O imparável, o indomável, o incontrolável e saboroso beijo acaba interrompido pelo trânsito.
"Cena de filme", diz uma voz enquanto mordisca o lábio inferior... "nunca me aconteceu", diz outro actor no fundo da tasca... "não me digas!?!?"; investe o bêbado junto ao balcão, agarrado ao vício... "Será que isso existe!?!?" questiona a Dona Balbina enquanto limpa um copo a um pano aos quadrados.

Não sei se existe, mas é uma história divina.


publicado por BigJoao às 00:08
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Quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Canções

Uma canção bonita será sempre bonita.

Deixo-vos a série Patxi Andion

 

 

Una dos y tres
http://www.youtube.com/watch?v=1F5ex2jSws8

Padre
http://www.youtube.com/watch?v=SekdEj4y8Zg

(...) Nunca te preocupó en nada, ser el primero (...)
No quisiste jamas, salvarte solo, porque no hay salvación decias, si no és con todos (...)


publicado por BigJoao às 01:35
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Terça-feira, 11 de Agosto de 2009

Digestões

Há digestões mais difíceis que outras, normalmente dependem do alimento ingerido e se estava muito ou pouco estragado.
Refiro-me à digestão de relações com um fim abrupto. :)

Ser rejeitado(a) não é fácil. Saber que alguém de quem gastamos ou gostámos, olha para nós e não sente a terra a tremer ( obrigado Hemingway :) ), não sente as ondas a rebentarem dentro de si, nem vê fogo de artifício……. é duro.
Começa então uma saga tipo senhor dos anéis. A ideia é sempre a mesma. Tentar diminuir a importância do outro dentro de nós. Normalmente recorre-se a uma pseudo-lógica, de todo impossível no fervilhar de emoções em que se vive. Tenta-se racionalizar ou, pelo contrário, deixamos-nos levar pelas emoções.
Tenho visto o recurso a todo o tipo de técnicas para ultrapassar relações terminadas, desde passarem a tratar os (as) “ex” pelo apelido, a recorrerem ao insulto em substituição do nome, até ao supremo castigo de não se voltar a envolver com ninguém, tudo é permitido. Tudo é legítimo para diminuir a imagem do outro e, quantas vezes para reduzir a dor dentro do próprio.



Qual é a minha técnica!? Observo à lupa comportamentos menos correctos, ou que possam roçar nem que seja levemente, a incorrecção e supervalorizo-os, hipervalorizo-os, modificando a pouco e pouco a imagem que tenho dela, a malvada que me ficou com o coração, usou e não devolveu em condições ser usado imediatamente. :) Não sou nenhum santo. Estas são estratégias de sobrevivência. Mas há pessoas que são o diabo para ultrapassar. Quando são correctas e de um comportamento impecável, de uma lisura no trato, inatacáveis… bolas… aí… só há uma solução; AENC, acrónimo para a expressão, aguenta e não chora. Não passa dum acrónimo, porque o choro está sempre cá, demasiadas vezes cá dentro. Não, não tem nada a ver com a máxima “um homem” não chora. Tem a ver com o facto de, nem sempre o choro conseguir resumir o que vai cá dentro, nem sempre o choro ser a melhor expressão para a tristeza que se instala. :)

Bem a propósito... para elas
The Bangles – Eternal Flames

 


Para eles...

 

Bruce Springsteen - Drive all night

 

 

Para quem ainda não conseguiu colar as peças toda

 

Tom Waits - Broken Bicycles


publicado por BigJoao às 00:48
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Segunda-feira, 8 de Dezembro de 2008

É só rir... e chorar

Esperem... preparem-se. A sério!!! Eu já tinha ouvido na rádio mas é essêncial ver o video clip. É pimba... e do bom! :) :)

Nem vou fazer comentários para não vos influênciar, só vos digo que ri e chorei ao mesmo tempo.

 



 

 




Quem é amigo, quem é!?!?!

PS: É só para pessoas sem complexos de ouvir uma musiquita pimba uma vez por outra. :)


publicado por BigJoao às 00:07
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Segunda-feira, 27 de Outubro de 2008

Concha Buika - Culpa Mia

Mientras no haya sol
Que ilumine el cielo
Solo las estrellas
En el firmamento
Mientras sea de noche
Y no llegue el día
Nada que ilumine
Esta pena mía

Esta pena mía
Corazoncillo loco
Que mata mi alma
Tan poquito a poco
Y me quita el sueño
Nunca me ha dolido tanto
Este sufrimiento que me está matando

Como llovía
La tarde en que te fuiste
Todavía pensando en ti
Me pongo triste

Te fuiste para siempre
Y siempre al recordarte
Considero que fue todo culpa mía
Cuando tú hablabas
Yo sin contestarte
Casi todo aquel silencio culpa mía

Culpa mía las llamadas sin respuesta
Culpa mía nuestra puerta demasiado abierta
Yo te he entregado mi alma sin pensarlo
Culpa mía es el dolor que estoy pasando

Como llovía
La tarde en que te fuiste
Todavía pensando en ti
Me pongo triste

La primera luna
De la primera noche
Bailamos sin parar por culpa mía
Alguna sonrisa
Casi todas las canciones
Y la tarde junto al mar fue culpa mía

Culpa mía los recuerdos que nos quedan
Culpa mía cuando te espere despierta
Yo te he entregado mi alma sin pensarlo
Culpa mía es el dolor que estoy pasando

Culpa mía las llamadas sin respuesta
Culpa mía nuestra puerta demasiado abierta
Yo te he entregado mi alma sin pensarlo
Culpa mía es el dolor que estoy pasando

Como llovía
La tarde en la que te fuiste
Ay todavía pensando en ti
Me pongo triste.

 


publicado por BigJoao às 15:56
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Concha Buika

Desde que el agua es libre

Libre entre manantiales,

vive Jazmines han llorado

Yo no comprendo

Como en tus ojos niña

Solo hay desierto

 

Hermosa era la tarde

Cuando entre los olivos,

Nadie vio como yo a ti te quise

Como te quiero

Hoy los olivos duermen

Y yo no duermo

 

No habrá nadie en el mundo

Que cure la herida

Que dejó tu orgullo

 

Yo no comprendo

Que tú me lastimes con todo,

Con todo el amor

Que me diste

 

Pa´ cuando tú volvieras

Pensé cantarte coplas viejas

De esas que hablan de amores y de sufrimiento.

 

Cuando tú vuelvas niña

Te como a besos

 

Y volaremos alto

Dónde las nubes van despacio

Despacio va mi boca

Sobre tu cuerpo tan lento que seguro se para el tiempo.

 

No habrá nadie en el mundo

Que cure la herida

Que dejó tu orgullo

 


publicado por BigJoao às 13:42
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Terça-feira, 30 de Setembro de 2008

Talvez...

Pela lufada de ar fresco, pela tranquilidade, pelo afecto, pela paixão, pelo amor, pela dedicação, pelos cozinhados, por me teres ensinado a gostar e entender o cão, pela simplicidade, pela ajuda na mudança, pela compreensão, por cada vez que acreditaste, por pensares em mim, pelas prendas, pelos jantares, pelas noites, pelos dias, pelo sono tranquilo, pelos pensos do nariz, por estares sempre lá, pela chave, por cada vez que foste aos correios, pelo teu toque, por me ensinares a negociar motas, por deixar as coisas da barba na tua casa, pelos pequenos almoços, pelas "green", pelas idas ao cinema, pelas emoções, pelo que me fizeste sentir, por me teres emprestado o carro quando isso foi essencial para estar com o meu pai, por teres ficado com o cão nessa mesma altura, por teres ficado com o cão nas outras alturas, por teres gostado de mim, por me teres apresentado aos teus amigos, pelos petiscos, por me teres aturado com um copito, pelo moscatel, pelo cajú, pelos sonhos a dois, pela forma como te abraçavas a mim durante a noite, pela forma como me abraçavas durante o dia, por teres encontrado uma solução de limpeza para as coisas do cão, pela limpeza da casa, pelo feitio irreverente, por me teres chamado à razão com a questão do cartão de fotografias, pela ida à Ovibeja, pela volta da Ovibeja, pela fartura em Beja, pelo Rock in Rio, pelo Delta Tejo, por me teres deixado descobrir-te, pelas caretas, pelo cabelo único, pela sensualidade, pelos teus beijos, pela forma como encaixavas debaixo do meu braço, pelo teu cheiro, pelos teus olhos, pelas tuas mãos, pelos teus lábios, pela música, por ti.

Adoro-te, mas não consigo estar contigo.

 


publicado por BigJoao às 18:08
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