Domingo, 17 de Junho de 2012

Reacção

"Porque quem ama, tem medo de perder"

 

Quem ama, também tem medo de sofrer. Quem ama, tem medo de amar demais. Quem ama, tem medo de se enganar. Quem ama, tem medo...

 

Levantou os olhos do livro, olhou para a esquerda e não viu vivalma, à direita só um pescador esquecido lá ao fundo, uns barcos mal semeados no Tejo e mais nada. Quis pegar na mota e seguir até Roma, Florença, Berlim, Helsínquia. Quis pegar no barco e velejar até às Caraíbas, descer à Patagónia e voltar pela Oceânia, Moçambique. Pegar no balão e subir pela Tanzânia, Zanzibar, Egipto e voltar. Chegar e perceber que tudo estava igual e no entanto, tudo tinha mudado completamente.

 

Tenho saudades dos meus filhos, da sua alegria transbordante quando estão juntos. Nem sequer se apercebem que não consigo conter um sorriso quando sem envolvem em debates sobre isto, sobre aquilo, sobre conceitos que são só deles, entusiasmados uns com os outros. Esquecem-se que ali estou, a levá-los para algum lado em silêncio, enquanto me alimento daquela alegria, enquanto se alimentam mutuamente de satisfação.

 

 

The Gift - Fácil de entender

 

Hoje joga a selecção e estou numa inquietação sem justificação, que nada tem a ver com a selecção. É uma inquietação interior, que não me deixa em paz.

Hoje ouvi que somos um povo megalómano. O Júlio Machado Vaz partilhou esta visão com o auditório da Antena 1 e eu estou-me a sentir arrastado para concordar. Nunca tinha visto as coisas assim. Porque tenho sempre que querer tudo? Quero toda a felicidade, todo o amor, toda a paixão, toda a aventura, toda a glória... tudo!!!

 

Sou um megalómano da felicidade.


publicado por BigJoao às 15:57
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Terça-feira, 17 de Abril de 2012

... e o amor?

Olhou à volta e viu a outra margem. Não sentia nenhum apelo, nenhum chamamento, nada. Só o vazio o acompanhou, enquanto de blusão vestido e mãos enterradas nos bolsos caminhou ao longo do rio. O frio continuou a entrar por todas as frestas possíveis e sempre a conseguir encontrar uma superfície de pele. Pele que passava a ser de galinha.

 

 

 

O coração é uma estranha dimensão do ser. Agora batia compassado, ritmado pelos seus passos, um autêntico metrónomo. E no entanto até podia estar parado. Batia onde, se estava tão cheio de vazio? Experimentou correr só para o sentir melhor, para que batesse com força no peito e voltasse a estar vivo. Parou. Embora continuasse a bater não resultava de nenhuma emoção, só batia. Não chega. Para quê bater sem emoção!? Sem emoções somos vegetais, plantas que se mexem, crescendo envelhecendo sem objectivo. Envelhecer não basta.

 

Somos todos diferentes uns dos outros. Uns conservadores outros liberais, uns altos outros magros, uns maduros outros entropecidos, uns alegres outros pobres. Resultamos de combinações improváveis e nem sequer temos a certeza do que procuramos. O que procuramos para nós, para os outros, para os nossos. Essa diferença é bela e aterradora. Aterradora porque separa, bela porque junta.

Se fossemos iguais seríamos incapazes de amar. Não conseguiríamos distinguir o amor por um filho, do amor ao próximo. Não existiria amor, seríamos ... alfaces.

 

Caminhou até chegar ao fim do trilho. Olhou o horizonte cinzento e pensou na fotografia estranha que daria. Um mar cinzento, interligado a um céu enublado, carregado de chuva. A preto e branco, em tons de cinzento.

Voltou para trás pelo mesmo trilho e o céu desabou sobre ele, mas não lhe pesou.

É leve o céu.


publicado por BigJoao às 22:56
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Terça-feira, 17 de Janeiro de 2012

... aquilo tinha que acabar!

Há um mês que não os via, um mês que não falava com os filhos.

Ligava todos os dias como se fosse à missa, mas a mãe não passava as chamadas, tirava o telemóvel aos filhos e não os deixava falar.

 

 

 

 

Nesse dia tinha de os ver. Tinha que o fazer. Nada justifica um mês sem os ver, sem lhes falar.

Enviou um sms, avisou que ia sem admitir uma recusa. Atrasou-se... a fulana não se despachava, queria ver isto e aquilo... sonhava acordada sem rumo nem capacidade de decidir se comprava ou não. A angústia tomou conta dele, o volante parecia de espuma... se calhar estava a apertá-lo demais. Entardeceu na estrada. Sabia que não ia chegar a tempo mas havia a possibilidade de ... havia a possibilidade...

 

A rua vazia. Um único prédio novo numa rua... na promessa de uma rua. Qual a probabilidade de acertar no segundo exacto em que o portão da garagem se abria? A frente do carro na abertura da garagem, impedindo o fecho do portão. Incrédulo assistiu aos filhos a correr, a sair do carro e fugir em direcção ao elevador. A fugir de si, do pai.

A partir daí deixou de sentir. Dava passos mas não sentiu os pés no chão. Ignorou a mãe quando passou pelo carro. Deixou de ouvir com clareza. Talvez ela buzinásse. A porta do apartamento à sua frente. Tocou a campaínha com insistência, qual era a pergunta que queria? Qual era a resposta? O que justificava a fuga!?

A porta impassível, sisuda sem compaixão, sem pudor. Chamou, perguntou. A resposta esbarrava sempre na vontade da mãe. O que a mãe queria, o que não queria. Ele queria um beijo, um abraço dos filhos... só isso.

A porta fechada, imóvel, rígida. As mãos no interior sem coragem para a abrir. Sem força para desobedecer.

O alarme a tocar. A mãe lá fora, nem tentou subir. Falava ao telemóvel sem palavras, criando cenários improváveis. Bolsando mentiras. Vómitos de mentiras em GSM. Alta tecnologia a propagar cenários inventados, ao serviço da manipulação.

Finalmente as perguntas tiveram resposta. "Não queriam".

Duas palavras simples, daquelas que se dizem todos os dias. Seja ao Sr. Joaquim da mercearia, ou aos vendedores da Cais em cada sinal de trânsito.

Viu as palavras atravessarem a porta em câmara lenta, cravarem-se em si... no seu corpo. Uma e outra cravaram-se de cada lado da imagem de os ver a fugir de si. Não saiu sangue... nem uma gota. A dor, o absurdo de dor de duas palavras de todos os dias.

Virou costas e desceu... se não queriam era diferente. Completamente diferente.

Passou por alguém. Talvez lhe tenha dito alguma coisa, não ouviu a voz, ou talvez fosse outra pessoa.

Pegou em toda a dor e tentou arrumá-la no carro, mas era um caso perdido. Arrancou com cuidado. Deixou ali algo de si e seguiu.

 

Sem saber como viver, sem dar nome áquela dor, aguentou. O optimismo perdeu-se, a alegria ficou naquele patamar. Nada voltará a ser como dantes.


publicado por BigJoao às 01:27
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Quarta-feira, 27 de Abril de 2011

A lembrar

Alienação parental:

"É o termo proposto por Richard Gardner em 1985, para a situação em que a mãe ou o pai de uma criança a treina para romper os laços afetivos com o outro conjuge, criando fortes sentimentos de ansiedade e temor em relação ao outro progenitor."

 

Hoje em dia, é crime.


publicado por BigJoao às 01:10
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Segunda-feira, 25 de Abril de 2011

Que estranho...

Logo hoje, 25 de Abril de 2011 tinha que me dar um rasgo, um surto de clarividência.

Talvez por ser o dia da revolução, da comemoração dos seus 37 anos, tudo se torne claro.

 

Por vezes cedemos às tentação, à vontade ainda que incongruente, ao desejo embora vazio, ao embrulho sem a prenda no interior. Podem-se usar tantas imagens para ilustrar essas situações... mas não passam disso, imagens.

Hoje foi o dia de ver mais além, foi dia de citar Richard Bach porque realmente, não há longe nem distância. Se queres estar num outro lugar, na realidade já lá estás um pouco.

 

 

Quero estar no lugar onde guardo as emoções mais fortes, onde já fui feliz. Em todos os locais onde fui feliz. Com todas as pessoas com quem alguma vez fui feliz. Não quero emoções negativas, só positivas. Ou então, podem entrar as negativas desde que o resultado final seja positivo.

Todas as experiências que valeram a pena ser vividas.

 

Eu vou lá estar. Vou fazer somente o que quero e nada mais. Não se adiam decisões... pois não miúda?

 

PS: Vale a pena ouvir a música toda, que mais não seja, pelo solo de guitarra.


publicado por BigJoao às 14:14
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Quarta-feira, 20 de Abril de 2011

O anzol

A tarde preguiça e espreguiça-se enquanto se arrasta indulente num desfolhar de horas que jazem inertes, já gastas pelo chão. Finalmente encosta-se à noite suave e calorosamente, misturando-se até se tornarem numa só.

 

 

Tenho saudades de quando fumava. Havia sempre companhia dentro de cada cigarro. Havia sempre alguém com quem partilhar aquela fraqueza que entra pela boca e queima o seu caminho, até finalmente espalhar o seu calor nos pulmões. Uma leve tontura após cada passa, os olhos a arder por cada vez que o fumo lá chega. A roupa e o interior do carro sempre cheios de cinza, a cheirar a tabaco ou, o que é pior, a cheirar a tabaco frio. Lembro tudo isto sem pena de ter deixado nem recriminação de quem ainda fuma.

 

 

 

 

Sinto que as coisas comigo acontecem sempre fora de tempo. Devo ser eu, deve ter a ver comigo, com a minha forma de estar.

Já me acusaram de ser racional, mas o que sinto é exactamente o contrário. Sinto que ando sempre a sofrer as consequências de ser impulsivo, mas a verdade é que as sofro sem arrependimento.

Sinto tanta falta de algumas pessoas cá dentro... de quem não esqueci, de quem não quero esquecer, de quem quero lembrar. O tempo faz o seu trajeto implacável e esboroa rochas outrora sólidas, esbate cores outrora garridas. Só não descolora o que sentimos, isso fica cá dentro no quentinho, no aconchego do que nos é querido.

 

Sou como as crianças, necessito de confirmações...


publicado por BigJoao às 16:01
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Domingo, 17 de Abril de 2011

A casa da Irene

Marcou os números no telemóvel.

- Está!?

- Boa noite, é da casa da Irene!?

- É.

- Servem jantares hoje, ou estão fechados!?

- Servimos sim. Quantas pessoas são!?

- Um adulto e três crianças.

- O que é que querem comer!? Temos cabrito, mas se quiser outra coisa...

- Pode ser cabrito sim. Pode ser às oito e meia!?

- Está bem. Assim é mais rápido, não têm que esperar. Como é que tem este número!?

- Foi aqui no turismo rural que me deram.

- Ahhh. Então fica para as oito e meia.

- Ok. Até já.

 

Saiu para a rua. O ar aqui tem sabor, tem cheiro saudável e rico. Olhou à volta, distinguem-se umas montanhas ao fundo, talvez já seja Espanha. Ouvem-se os pássaros chilrear e ruídos de campo, de agrícultura, de rebanhos. Porque é que abandonámos o campo e nos encaixotámos em cidades!? Não me consigo lembrar... terá sido a revolução indústrial!? Não me lembro... talvez...

 

Paro o carro num largo. Os miúdos e miúdas da aldeia jogam à bola sem preocupações aparentes. Estamos nas férias da Páscoa e férias são férias.

Os olhares não nos largaram no percurso do carro à casa da Irene. O jantar demorou pouco e foi excelente, a conversa foi melhor ainda e esticou o jantar para três horas. Simples a D. Irene, com convicções de aço temperado em trabalho e olho para o negócio.

 

No dia seguinte um pequeno almoço variado e gravuras rupestres. As gravuras ganham vida com a explicação. Tudo se ilumina, a imaginação acende-se...

 

Foz Côa

 

A felicidade são coisas simples... muito simples.

 

James Asher - Ijeilu ( audição obrigatória, imaginar uma praia deserta com palmeiras, areira branca e mar azul turquesa )


publicado por BigJoao às 03:22
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