Sábado, 24 de Março de 2012

Os dias

Ouviu o barulho leve das ondas de rio a borbulharem na margem. A noite estava clara e os reflexos viviam na água numa espécie de competição de pirilampos. Ao longe os ruídos do cais a oxcilar ao sabor da ferrugem e das ondas. Sentiu a margem plena de vida, dentro e fora de água.

 

Tejo à noite

 

Qualquer coisa não estava bem. As emoções desarrumadas dentro de si, a constante angústia, ansiedade, mal estar, não sabia...

 

Levantou-se do banco de pedra e caminhou ao longo da margem. A temperatura anormalmente quente para a altura do ano, a arrogância intelectual dos políticos troiqueiros, indiferentes ao sofrimento que provocam, tudo lhe ocupava a mente.

- Dê-me uma moeda. Pediu alguém. Abanou a cabeça sem prestar atenção.

Avançou em direcção ao carro, procurou a chave no bolso e entrou. O telefone tocou.

- Está!? Olá mãe... não, hoje não me dá jeito ir aí jantar... pode ser antes na sexta? Na sexta estou com os miúdos... ok. Beijinhos.

Meio sonâmbulo arrancou, fundindo-se no escuro da noite.

 


publicado por BigJoao às 20:18
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