Segunda-feira, 24 de Outubro de 2011

O futuro

Conseguiu o emprego há três ou quatro meses. Está confuso mas também orgulhoso. Passou-se tudo muito depressa.

Quando concorreu para líder do partido pensou que chegara a sua vez, a sua vez de fazer valer as suas ideias. "O Ângelo disse que me dava todo o seu apoio".

Sempre gostou de brilhar e a sua forma de brilhar sempre foi portar-se bem, ser reconhecido como bom rapaz. Sempre acreditou que quem se porta mal tem que ser castigado.

 

Subitamente o Bloco retirou o apoio ao PEC4 e teve que decidir se deixava aquele tretas corrupto continuar a governar ou não. Falou com diversas pessoas e a maioria concordou, o "regabofe tinha que acabar".

 

Teve que se aplicar para ganhar as eleições, mas era disso que gostava na política, afirmar-se. A conjuntura era-lhe favorável. As medidas a tomar estavam no memo da troika, bastou argumentar que era esse o único remédio... formou governo e pôs em prática o que sempre fez na vida, portar-se bem.

De repente a economia começou a parar, os impostos deixararam de entrar, o desemprego disparou e os comunas desataram a fazer manifestações. Felizmente lá em Bruxelas só lhe dão palmadinhas nas costas, "tens sido duro, corajoso" dizem.

 

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O problema é que a vida não é assim maniqueista, não há bons e maus. O problema é que ser corajoso com a vida dos outros é fácil, ser corajoso com a miséria dos outros... não é coragem.

Os indicadores económicos não são tudo na vida e o liberalismo selvagem ao estilo americano está falido. A receita não é castigar salários e ordenados, a receita devia ser regular e manter controlada a actividade de gerir dinheiro. A receita é ameaçar as empresas das parcerias PP de nacionalização caso não aceitem renegociar os contratos. A receita é responsabilizar quem nos trouxe até aqui.

 

 

"A consequência de não te envolveres na política, é acabares a ser governado por pessoas piores que tu". Platão

 

 Lenny Kravitz

 


publicado por BigJoao às 01:34
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1 comentário:
De Amelie_Poison a 25 de Outubro de 2011 às 08:57
Avizinha-se a destruição da classe média que leva à insolvência individual que, por consequência, obriga ao fecho das portas do que ainda resta do pequeno comércio e a insolvência das médias empresas. Que crescimento vai resultar daqui? Apenas o crescimento da miséria em que nos vamos afundar... e desiludam-se que em 2014 estaremos melhor.


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