Quinta-feira, 9 de Setembro de 2010

Quem?

Andava à procura do que chamo “o discurso da hipocrisia” de Salazar, quando dei com este site saudosista, bem feito, mas com uma música terrível. <Site>

Chamo-lhe discurso da hipocrisia porque foi o que fez após mandar matar Humberto Delgado, em que dizia que “…a outros talvez interessasse matá-lo, a ele não…”.

Já tinha lido sobre Salazar, mas nada de muito profundo, até porque me parecia sempre aborrecido. Desta vez pus-me a ler os discursos e acabei surpreendido por um personagem complexo, intrincado, que se torna mais claro à medida que o lemos. O estilo de escrita parece que fez escola, pelo menos a julgar pelos artigos de alguns discípulos publicados no site, mas nada parece realmente ultrapassar o original.

Fascinante, é a única palavra que me ocorre! Notam-se permanentemente as suas motivações, reforçadas uma e outra vez a cada discurso. Ao mesmo tempo os discursos são ecléticos, sempre dirigidos à respectiva audiência, sempre passando mensagens, normalmente embrulhadas num português cheio de “rococós” e difícil de seguir, exigindo sempre a nossa atenção. Sempre a passar a ideia que governar é um fardo demasiado pesado, que exige muito trabalho, honestidade, empenho. Sempre a alertar para perigos e defeitos desta ou aquela solução, chega a afirmar que os portugueses podem-se dar por felizes por terem um único candidato presidencial, porque assim não têm de sofrer o terrível dilema da escolha. (lol)

Não pude deixar de comparar a situação política actual com a de então. As semelhanças da situação anterior ao 28 de Maio às de hoje são bastantes. Corrupção descontrolada, a política pela política e a ser usada como forma de trampolim social, o descontrolo financeiro das contas públicas, a perda de valores fundamentais como a honestidade… tenham medo!!!!! Muito medo!!!!

 


publicado por BigJoao às 18:02
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3 comentários:
De P a 12 de Dezembro de 2010 às 02:54
Lembrei-me de um pequeno texto de Salazar num livro escolar sobre os camponeses. Só lembro que lá dizia que ser agricultor era « UMA VOCAÇÃO DE POBREZA ». Salazar considerava a pobreza uma virtude e na pouca educação uma garantia de paz psicológica. Acredito de que estava certo de ser a melhor opção para Portugal - pobrezinhos mas muito asseados! Também acredito que representava verdadeiramente o Portugal do seu tempo. Tal como hoje acredito que Cavaco Silva representa perfeitamente o português moderno, provinciano maravilhado pela técnica. Tem todo o ar do portuga 1971 - num Opel Kadett (verde alface) ficava perfeito. Moderno "ma non troppo".


De BigJoao a 12 de Dezembro de 2010 às 22:47
Pois é P, também considero Salazar um tecnocrata cheio de limitações. Com uma série de valores importantes incrustados, mas sem visão.
Pobrezinhos mas honestos. A honestidade era essencial para ele e com isso concordo, mas dispenso o pobrezinhos.
Claro que a pobreza não é nenhum garante de virtudes.


De Angela a 16 de Dezembro de 2010 às 14:58
Depois de ler isto... "Portugal dos pequeninos" é o que me ocorre.
(E por falar em Opel Kadett lembrei-me da marquise de alumínio que a excelência mandou fazer na casa da Travessa do Possolo.... "modernitá non è mai abbastanza")

bjinhas ao J
Ângela


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