Quinta-feira, 21 de Maio de 2009

O Deserto

Apanhei o avião para Ghardaïa no domingo. Um bi-motor a hélices com direito a hospedeira e lanchinho.
Lá em baixo a vegetação verde deu rapidamente lugar a uma paisagem árida pintada à base de amarelos e castanhos. Tudo se foi transformando ao longo dos 600Km.
À chegada esperava-me uma “estalada” de ar quente e seco, um hotel honesto e um jantar comum.

 

Ghardaïa fica na região M’Zab e é composta por 5 tribos berbéres, que correspondem a outras tantas aldeias em colinas. Existem minaretes Sunitas e os outros xiitas, que diferem na forma. As colinas têm uma espécie de kashbha, onde é obrigatório contratar um guia para a visita. A mais antiga das tribos data de 1017 e é proibidíssimo tirar fotografias. Este conjunto de aldeias cujo nome significa em kabilie (na história que achei mais interessante) “Paro aqui”, ou “Não vou mais longe”, situa-se num oásis cheio de palmeiras, em que inclusive no ano passado houve cheias, porque o rio (Oued), um espaço seco, onde nem uma gota de água se consegue imaginar, transbordou.

98% das mulheres usa véu a tapar a cabeça e existe mesmo uma maioria que usa um véu branco completo. Caso sejam casadas, usam este véu e deixam espaço para verem só com um olho. Foi-me dito que existem mais acidentes de viação com elas por causa disso, pois atravessam sem ver bem as estradas.

A cena do dia foi horripilante. Um tipo vinha de acelera sem capacete e ao tentar acender o cigarro em andamento, estoirou com a mota contra um poste, mesmo à minha frente. Um autêntico doido!! O problema foi ter feito uma fractura exposta da tíbia (ou perónio… sei lá. Estava de fora!). Nem um queixume, sentado no passeio, cigarro ainda na boca e isqueiro na mão com que mantinha o osso dentro da perna. Lá seguiu para o hospital, deixando finalmente o cigarro no chão.
Fiz os 200Km até Ouarglá, cidade próxima da extracção de gás e petróleo. Jantei numa tenda feita de mantas de pêlo de camelo, que são leves e impermeáveis. Comi um Chorba e um «depois-lembro-me-do-nome» muito bons. A sopa é muito rica e já não consegui comer o prato em condições, deixei quase metade.



Nunca tinha convivido tão de perto com este ar quente e seco. Com 40 graus à sombra, transpira-se dentro dos edifícios, sobretudo os que têm ar condicionado, mas mal se sai para a rua, a roupa seca, descola-se do corpo e torna-se mais suportável.
O que mais impressiona é o silêncio.


publicado por BigJoao às 02:16
link do post | Comentar retratos | favorito

.mais sobre o Big

.pesquisar

 

.Novembro 2016

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

13
14
15
16
17
18
19

20
21
22
23
24
25
26

27
28
29


.posts recentes

. A garrafa

. Amei

. Voo razante

. Dias sempre iguais

. O mundo mudou

. Acorda Portugal

. A elevação

. e tu?

. O retorno

. A sentença

.Posts do tempo da Maria Cachuxa

.tags

. todas as tags

.Links

.Contador

blogs SAPO

.subscrever feeds