Sábado, 6 de Dezembro de 2008

Al-Jazaïr - Os dias

Confesso que não me tem apetecido escrever neste quase diário de bordo.

Hoje levantámo-nos mais cedo para ir até à Baixa de Alger. A multidão habitual de peões indisciplinados cruza as ruas. Percebi que entre peões e automóveis joga-se um jogo subtil mas de consequências possivelmente sérias. Sempre que um peão atravessa, há duas regras não explícitas. Ou o peão vai distraído e nesse caso o carro pára, ou olha para o carro e este último acelera impedindo-o de atravessasr. Aparentemente para um peão o truque é espreitar pelo rabinho do olho para a rua, sem no entanto dar a entender aos automóveis que está alerta. :) Atravessar uma rua é um acto de coragem comparável a uma pega de caras.

As compras decorreram como o esperado, tudo o que recorra a mão de obra é relativamente barato, tudo o que venha de fora tem o mesmo preço. Os sapatos são todos tipo sultão, o que é bom para matar baratas nos cantos das salas, mas nada que encaixe no meu gosto. A contra-facção é a palavra de ordem, vi várias lojas de CDs mas nem um único CD original, não estou a brincar! Reparem nesta pérola, Rap Argelino.

 

 

 

 



Deixou-me algo decepcionado a quantidade de artigos marroquinos que têm à venda, mas fez-me pensar. A União Europeia anda há anos a tentar criar um espírito de união entre europeus e até agora tem conseguido resolver alguns aspectos que nos dividem, estes países, de Marrocos até ao Afeganistão, partilham a mesma língua com alguns sabores diferentes. Têm um potencial imenso.
Vêm-se passar muitas mulheres com lenço, muitos homens de braço dado. A juventude argelina não parece partilhar completamente os valores dos mais velhos, os rapazes usam cortes de cabelo à jogador da bola e bastantes raparigas não usam lenço. Aaaahhhh quase me esquecia, numa só manhã vi três raparigas lindíssimas! Mesmo muito bonitas, o traço que tinham em comum era serem morenas, cabelo mesmo preto e uns olhos de azul celeste. Um deslumbre.
A miséria nunca desaparece do horizonte, pedintes, pessoas a vasculharem caixotes, basta sair da rua principal 3 metros e lá está ela.


Enquanto espero um táxi um polícia pára numa mota, desloca-se ao multibanco trata dos seus assuntos e volta. Sobe para a BMW nova, atende uma chamada no telemóvel e arranca a toda a velocidade entrando em contra-mão na rua em frente enquanto evita os carros que vêem recorrendo a um zigue-zague arriscado. Tudo isto sem assinalar marcha de urgência, talvez ela nem exista. Os polícias aqui não são mais responsáveis que os restantes cidadãos perante a lei, têm mais privilégios e usufruem deles.


publicado por BigJoao às 16:54
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