Domingo, 19 de Outubro de 2008

O Vasilhame

Os sites sociais têm tudo a ver com a imagem. Claro que existe o resto, a conversa, o trato, as ideias, etc. mas, continua a ser curto. Como meio de comunicação é muito limitado.

Confesso que começo a ficar farto da importância do vasilhame. Claro que a imagem é importante, mas não lhe dêem mais importância do que aquela que realmente tem. As ideias são importantes sim, mas as ideias não são tudo, há comportamentos, há os gestos, etc...
Para que querem as pessoas criar imagens idílicas à sua volta, se depois interiormente estão em desarmonia com o mundo? Somos todos humanos, mas alguns parecem mais iguais que outros. Parecem achar que não têm valor se não se rodearem de uma série de estereótipos de pseudo-bem-estar.



Amanhã vejo isto melhor, também eu estou em contra-ciclo com o mundo. Como a economia.
Nem consigo transmitir o que sinto.

E que sinto eu?

Um vazio, um espaço enorme cá dentro que já esteve preenchido, completa e absolutamente preenchido, que transbordava de vida, planos e ideias. Afinal esvaziou-se como um balão de ar.
Estou plenamente convencido (maluco mas convencido) que tal preenchimento atentava contra a ordem natural do mundo. Senão vejamos:

1. Em Março o Barril do petróleo estava a 70$, não parou de subir, atingindo os 140$. Desde Setembro até agora, não parou de descer, já vai em 62$/barril. O que estava a ser quase insuportável, tornou-se simples.
2. As despesas dispararam levando a uma pré-bancarrota. Em Setembro recebo a devolução do IRS que vem re-equilibrar as coisas.
3. Do lado contrário, o emprego quase voou, aparentemente já voltou a estar seguro.
4. Existia uma viagem em perspectiva, ironicamente desapareceu, voltando a aparecer agora.

Que sinto eu? Que sinto eu? Que sinto eu? O que é que eu sinto? Sim! O que é que eu sinto!?

Sinto-me um boneco manipulado pela vontade dos deuses. O que me estará reservado, se não pode ser o que quero, como podem vocês subir o petróleo, cortar o emprego, cancelar viagens?
Vocês estão tramados comigo, o que é que pensam que me põem a fazer? Acham que a minha vida vai ser como vocês planearam? Onde fica o livre arbítrio no meio disso tudo?

Não devíamos andar cá para sermos felizes? E isto! É alguma forma de felicidade? Bem sei que podia ser realmente infeliz...

ok, eu obedeço e resisto e aguento e não choro e não desisto e fico e finjo que estou bem e ... um dia desmonto-me.


publicado por BigJoao às 18:20
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